Interromper uma reunião para ir ao banheiro, acordar várias vezes durante a madrugada e começar o dia com a sensação de cansaço. Para muitos homens, essas situações acabam incorporadas à rotina, mas podem ser sinais de um problema que tem tratamento: o aumento benigno da próstata.

Neste Novembro Azul, a campanha de conscientização sobre a saúde masculina também chama a atenção para a hiperplasia prostática benigna, conhecida como HPB.
A doença não é câncer e não se transforma em um tumor maligno, mas as duas condições podem apresentar sintomas semelhantes.
Há diferentes formas de tratar a doença. Nos casos mais leves, podem ser recomendadas mudanças de hábitos e medicamentos.
Quando necessário, existem cirurgias para retirar parte do tecido aumentado, inclusive por meio da uretra ou com o uso de laser. Outra possibilidade é a embolização das artérias da próstata, uma técnica minimamente invasiva, ou seja, sem grandes cortes ou incisões, e com recuperação mais rápida.
Um dos pioneiros na aplicação desse procedimento no Brasil é o médico Francisco César Carnevale, radiologista intervencionista e cirurgião endovascular do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Ele explica como a técnica funciona.
“A embolização da próstata é o cateterismo pela virilha ou pelo braço que nós fazemos da próstata com o paciente acordado, conversando conosco, sem dor, sob anestesia local. É uma picada, semelhante a picada da anestesia, feita no dentista. Nós injetamos um contraste e nós também conseguimos fazer uma fotografia das artérias e chegamos dentro da próstata, onde nós injetamos microesferas de resina e elas são inofensivas para os pacientes.”
Com o bloqueio do fluxo sanguíneo, a próstata tende a diminuir de tamanho, reduzindo a compressão sobre a uretra, canal por onde passa a urina. O procedimento dura de uma hora e meia a duas horas. Depois de algumas horas de observação, o paciente pode ir para casa caminhando. A indicação depende de avaliação médica.
Entre os sinais da HPB estão dificuldade para iniciar a micção, jato fraco ou interrompido e sensação de que a bexiga não foi completamente esvaziada.
Preconceito atrapalha diagnóstico
Carnevale também alerta para um obstáculo que ainda afasta muitos homens dos consultórios: o preconceito e a resistência em realizar exames como o toque retal.
“Todos os jovens, eles têm que perder o tabu e não se preocupar em procurar o seu urologista a partir de 50 anos de idade, principalmente se ele não tem histórico de câncer na família. Quando ele tem histórico de câncer de próstata, esse paciente deveria procurar o seu urologista a partir de 40 anos de idade e anualmente”.
O Novembro Azul também chama a atenção para a importância de combater a desinformação, os mitos e o medo dos exames, que ainda afastam muitos homens dos cuidados com a própria saúde.
Romper o silêncio e procurar orientação médica diante de qualquer mudança no corpo são atitudes que podem fazer diferença no diagnóstico, na qualidade de vida e na longevidade.
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