Pautas antiambientais marcam mandato de Flávio Bolsonaro no Senado

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Pautas antiambientais marcam mandato de Flávio Bolsonaro no Senado

Poucas coisas são tão consistentes na trajetória política de Flávio Bolsonaro (PL) no Senado Federal quanto sua aversão ao meio ambiente, igualzinho ao seu pai. Ao longo de quase oito anos de mandato pelo Rio de Janeiro, o atual presidenciável acumulou um histórico de votos antiambientais, mostra um levantamento do Observatório do Clima. Desde 2019, o parlamentar propôs ou defendeu pelo menos 17 iniciativas com conteúdos contrários à proteção ambiental no Brasil.

Um dos projetos de Flávio Bolsonaro no Senado, apresentado em abril de 2019, propunha eximir os produtores rurais da obrigação de manter uma reserva legal em suas propriedades. Atualmente, a lei obriga os proprietários a manter pelo menos 20% de suas terras (80% na Amazônia) com vegetação nativa.

Uma análise feita à época mostrou que a aprovação do projeto de Flávio poderia resultar no desmatamento de 167 milhões de hectares — cerca de três vezes o tamanho de Minas Gerais. O projeto acabou sendo arquivado quatro meses depois a pedido do próprio senador.

No mesmo ano, Flávio Bolsonaro também apresentou um projeto para acabar com a Estação Ecológica dos Tamoios, entre Angra dos Reis e Paraty (RJ), com o objetivo de facilitar a exploração turística na região em detrimento da proteção ambiental. A região é velha conhecida da família Bolsonaro. Em 2012, o pai de Flávio, o então deputado federal Jair Bolsonaro (hoje ex-presidente e presidiário) foi multado em R$ 10 mil pelo IBAMA por pesca ilegal. A multa chegou a ser anulada em 2018, mas foi revalidada em setembro de 2023.

A Estação Ecológica dos Tamoios também foi alvo de outro projeto do presidenciável, apresentado em 2021, que visava criar a “Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento Sustentável da Costa Verde” — que, apesar do nome pomposo, nada mais era do que a entrega da estação à indústria do turismo. Em 2025, a relatora do projeto, senadora Eliziane Gama (PT-MA), avaliou que a proposta padecia de “vícios insanáveis” e que era “um ataque ao sistema de unidades de conservação brasileiro”, votando por sua rejeição.

O candidato do PL também foi entusiasta do infame “PL da Devastação”, que virou “Lei da Devastação” em 2026, enfraquecendo o processo de licenciamento ambiental no Brasil. Flávio também votou a favor de incluir o gás fóssil em financiamentos pelo Fundo Clima, do marco temporal para restringir a demarcação de Terras Indígenas e de restrições à fiscalização ambiental. Além de ser coautor de um projeto que subordina a demarcação de TIs à aprovação pelo Congresso Nacional.

A aversão de Flávio Bolsonaro a temas ambientais é gritante também na campanha presidencial deste ano. Uma análise do Observatório de Integridade da Informação (OII) mostra que o presidenciável quase não falou de meio ambiente e clima em suas redes sociais. Desde o começo da campanha até o último dia 9, foram apenas dois posts compartilhados pelo candidato sobre o tema. Em comparação, o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, postou 41 conteúdos diferentes sobre assuntos ambientais e climáticos no mesmo período.

Como esperado, as mudanças do clima não ganharam nenhuma menção da campanha bolsonarista nas redes sociais, apesar do noticiário tomado por eventos extremos no Brasil e no mundo, além dos primeiros impactos do “Super El Niño”. Outros tópicos, como florestas e energia, também não foram dignos de citação por Flávio Bolsonaro em suas redes.

Os dois míseros posts do filho de Jair Bolsonaro abordaram a redução das “amarras ambientais e burocráticas” para estimular o turismo e a defesa da exploração econômica de Territórios Indígenas – ambos em linha com o histórico antiambiental do candidato no Senado Federal.