Setembro Amarelo destaca importância de ouvir para prevenir o suicídio

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Setembro Amarelo destaca importância de ouvir para prevenir o suicídio

Para dar suporte emocional e ajudar na prevenção ao suicídio, a Associação Brasileira de Psiquiatria trouxe para o Brasil uma das principais campanhas de saúde mental no mundo, o Setembro Amarelo. O projeto, realizado em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e apoio do Centro de Valorização da Vida (CVV), busca combater o preconceito contra o tema e estimular que as pessoas busquem e ofereçam ajuda. Leila Heredia, voluntária e porta-voz do CVV em Brasília, fala sobre a origem da ideia.

“A gente pensava em quebrar tabus, como fazer para que mais pessoas compreendessem a importância da prevenção do suicídio. Muitas vezes era comum a gente ouvir as pessoas falando assim: ‘Ah, tá com aquelas ideias ruins’, e pessoas resistentes a buscar ajuda. E aí a gente pensou: ‘Bom, existe o Outubro Rosa, existe o Novembro Azul, por que que a gente não faz o Setembro Amarelo, já que o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio?”.

Nesta edição da campanha, o tema é “escutar é estar presente”. A afirmação destaca a importância de ouvir quem está em sofrimento emocional como o primeiro passo para enfrentar a dificuldade. A voluntária destaca o papel da escuta.

“Quando você escuta a outra pessoa, escuta de verdade, escuta de uma maneira genuína, de uma maneira total, larga todos os seus problemas de lado e fala para a pessoa: ‘E aí, vamos conversar? Como que eu posso te ajudar? Tá acontecendo?’. Esse momento, que é o momento que você se abre para escuta, é possível que a pessoa compartilhe com você dores e sofrimentos que, talvez em outro momento, ela não falaria”.

Leila explica ainda que esse apoio deve ser feito sem juízo de valor.

“Essa escuta é uma escuta sem julgamento, é uma escuta sem crítica, é uma escuta que eu não vou falar: ‘Ah, mas com o fulano era desse jeito, ou comigo já passou assim, assim’. Porque às vezes até na na ideia de ajudar a gente acaba roubando a fala da pessoa. Então a pessoa fala: ‘Nossa, eu tô com um problema X’, ‘Ah, mas eu também já passei por isso’. Então, escutar e estar presente é isso, é você garantir a outra pessoa a sua presença, o seu apoio, e fazer a pessoa sentir que ela é importante para você”.

De acordo com a campanha Setembro Amarelo, pequenas mudanças podem indicar que uma pessoa precisa de ajuda, como não gostar mais de atividades que antes curtia, isolamento e perda de esperança no futuro. Leila também alerta que enfrentar um problema emocional sozinho não é indicado.

“Enfrentar sozinho as nossas dores, os nossos sofrimentos, é muito difícil. É uma carga de dor absurda. Então ter alguém ao lado é fundamental. E algo que é importante também lembrar é que quando a gente fala, quando a gente expõe, quando a gente desabafa, compartilha tudo aquilo que tá se passando dentro da gente, a gente também se ouve. E se ouvindo, a gente vai conseguindo ali elaborar, compreender melhor o que é que tá acontecendo. Vai conseguindo buscar caminhos, buscar recursos internos para entender melhor o que tá se passando”.

O CVV oferece serviço voluntário de escuta e apoio emocional de forma anônima e gratuita, todos os dias, por 24 horas, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br. A organização destaca que o serviço é feito por voluntários que passam por treinamento e não por profissionais de saúde mental e que não substituem os serviços especializados. 

*Com produção de Ligia Maria.
 

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