O ano de 2025 foi mais violento para os Povos Indígenas do Brasil. O relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025”, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), revela que 258 indígenas foram assassinados no ano passado. Um aumento de 22% sobre 2024. Roraima foi o estado com mais assassinatos de indígenas em 2025, com 82 casos, seguido por Amazonas (47) e Mato Grosso (37).
O relatório ainda indica alta nos casos de suicídio, que passaram de 208 em 2024 para 215 no ano passado. Os casos se concentram principalmente entre os mais jovens – indígenas de 20 a 29 anos (41%) e até 19 anos (34%). Já a violência sexual contra indígenas aumentou de 20 casos em 2024 para 25 em 2025, sendo que a maior parte das vítimas é de meninas menores de idade.
A mortalidade infantil também cresceu. Os óbitos de bebês e crianças indígenas de até 4 anos totalizaram 1.024, aumento de 11% em relação a 2024. Desse total, a maioria (57%) decorreu de causas evitáveis, como gripes e pneumonias, doenças infecciosas intestinais e desnutrição.
O relatório também lista casos de abuso de poder, ameaça de morte, lesão corporal, tentativas de assassinato, casos de racismo e discriminação étnico-cultural e outros tipos de ameaça. Indígenas também foram vítimas de homicídio culposo (sem intenção de matar).
Os ataques aos indígenas vão além da ameaça à integridade física, mostra o CIMI. Foram contabilizados 1.276 casos de violência contra o patrimônio, que incluem casos relacionados à omissão e à morosidade na regularização de terras (897), conflitos relativos a direitos territoriais (169) e invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio indígena (210).
Segundo o CIMI, o recrudescimento da violência está diretamente relacionado às invasões de Terras Indígenas na esteira da aprovação do marco temporal pelo Congresso Nacional. A entidade lembrou que a Lei nº 14.701/2023, aprovada apesar da inconstitucionalidade da tese declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), colocou em xeque a situação de territórios sob processo de demarcação, ampliando a insegurança jurídica e física dos Povos Indígenas.
“Tem aumentado a violência, os conflitos socioambientais e as violações de Direitos Humanos. A mera tramitação e aprovação dessas leis têm causado uma paralisação no processo de demarcação e, consequentemente, temos visto uma certa precariedade na política de proteção e preservação e fiscalização dos territórios indígenas”, afirmou o coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Dinamam Tuxá, n’O Globo.
“As múltiplas faces da violência contra os Povos Originários são cruéis e parecem incessantes, porque se repetem ano após ano. Há períodos, contudo, em que elas se intensificam de forma ainda mais perversa, atingindo especialmente os Povos e Comunidades tornados vulneráveis pela omissão do Estado e pela interminável espera pela demarcação de seus territórios – direito que permanece, há décadas, negado”, pontuou o cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do CIMI, citado pela Folha.
Os dados do CIMI sobre a violência contra os indígenas brasileiros em 2025 também foram destacados por A Crítica, Agência Pública, Agência Brasil, BNC Amazonas, Brasil de Fato, CartaCapital, g1, Metrópoles, O Globo, Projeto Colabora e UOL.





