Calor extremo está se tornando mais frequente, intenso e duradouro, alerta agência da ONU

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Calor extremo está se tornando mais frequente, intenso e duradouro, alerta agência da ONU

O mundo está ficando mais quente, por mais tempo e com intensidade cada vez maiores. O alerta foi feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que confirmou que o mês passado foi o 2º julho mais quente dos registros históricos, impulsionado por ondas de calor intensas na Europa e na América do Norte.

“O calor extremo está se tornando mais frequente, mais intenso, mais duradouro e abrangendo áreas muito maiores do que as dos climas mais frios do passado”, disse John Kennedy, chefe de informações climáticas da OMM, citado pela Reuters.

Com base em dados do serviço de monitoramento climático Copernicus, da União Europeia, a OMM confirmou que a temperatura média da superfície foi 1,47°C mais alta no último mês em relação à linha de base pré-industrial (média de 1850-1900). Já as temperaturas globais da superfície do mar foram as mais altas registradas para os meses de julho.

As altas temperaturas têm sido inclementes na Europa, especialmente em sua porção oeste. A região experimentou os meses de junho e julho mais quentes já registrados, tendência que deve persistir em agosto, com alguns países sofrendo agora com a 4ª onda de calor desde maio.

As altas temperaturas, os níveis excepcionalmente baixos de umidade do solo e a seca estão tendo um impacto devastador nos ecossistemas, na agricultura, nos níveis dos rios e nos sistemas de transporte e energia europeus. Esse cenário também tem facilitado a ocorrência de incêndios florestais no continente.

Outras regiões do globo também sofrem com o calor intenso, como o Japão e a Península Coreana, além de outras partes da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina. Ao mesmo tempo, regiões da África Ocidental estão sofrendo com fortes chuvas e inundações, além de tempestades tropicais mais intensas.

“O que temos observado nos últimos meses é o efeito combinado do aquecimento a longo prazo com um padrão persistente de alternância entre sistemas de alta e baixa pressão que se estende pelo Hemisfério Norte. As áreas de alta pressão são tipicamente associadas a altas temperaturas e condições secas, enquanto as áreas de baixa pressão são mais frias e úmidas”, explicou Kennedy. Folha e g1 também destacaram a análise do especialista.

No Reino Unido, a agência meteorológica Met Office confirmou que o verão de 2026 deve ser o mais quente já registrado no país. As estimativas indicam que a temperatura média do verão britânico até o momento está em 16,48oC, 1,88oC acima da média de 1991 a 2020. No verão de 2025, a temperatura média foi de 16,10oC, detalha a BBC.

Já a seguradora Swiss Re alertou sobre os impactos de longo prazo do calor extremo na Europa. Um dos pontos assinalados é a falta de infraestrutura de resfriamento, como ar-condicionado: apenas 20% dos lares europeus possuem esse equipamento, em comparação com 76% na América do Norte.

Segundo o braço de pesquisa da seguradora, a dificuldade da Europa em lidar com o calor terá reflexos na redução da produtividade agrícola, na sobrecarga dos sistemas de água e energia, e na diminuição da produtividade do trabalho, informa a Bloomberg.