A área sob alerta de desmatamento na Amazônia caiu 37% entre agosto de 2025 e julho de 2026 e atingiu o menor nível da série histórica do Sistema DETER, do INPE, iniciada em 2015. O Cerrado também registrou queda no desmate no mesmo período, porém em um índice bem menor, de 8%.
De acordo com o DETER, os alertas de desmatamento na Amazônia somaram 2.874 km² de agosto do ano passado a julho deste ano. No ciclo anterior, os alertas totalizaram 4.495 km² no bioma, informam Folha e g1. Já no Cerrado, os alertas somaram 5.119 km², ante os 5.555 km² desmatados no período anterior.
O DETER emite alertas de desmatamento para orientar ações de fiscalização, algo que o Congresso Nacional tenta derrubar com o Projeto de Lei nº 2.564/2025, aprovado na “Semana do Agro”, que altera a lei de crimes ambientais, restringindo o uso de embargos remotos pelo IBAMA, que utilizam imagens de satélite. Já os números oficiais do desmate são de outro sistema do INPE, o PRODES, que é mais preciso e tradicionalmente publicado em novembro.
A redução nas taxas de destruição da Amazônia representa uma vitória da retomada das políticas de combate à destruição ambiental sob a tutela de Marina Silva, que voltou a chefiar o Ministério do Meio Ambiente e da Mudança Climática no terceiro mandato do presidente Lula. No período de agosto de 2021 a julho de 2022, o último ano-desmatamento cheio do (des)governo Jair Bolsonaro, o DETER registrava 8.590 km² perdidos no bioma, quase três vezes o total atual.
O Observatório do Clima (OC) destaca que se a queda de quase um terço observada em 2026 no DETER for repetida no PRODES, o Brasil possivelmente terá a menor taxa oficial de desmatamento na Amazônia desde o início das medições por satélite, em 1988. “Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, reforçou Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório.
Para o coordenador de Política Internacional do OC, Claudio Angelo, essa é a maior entrega deste mandato de Lula. “O mais importante nesse dado é a comprovação de que o Brasil aprendeu a reduzir desmatamento”, afirmou, explicando que voltar a um patamar muito baixo mostra que o resultado não é derivado da sorte, mas da aplicação de medidas de fiscalização que funcionam.
Diretora de Ciências do Instituto de Pesquisa da Amazônia (IPAM), Ane Alencar reitera que uma soma de ações do governo federal explica tamanha redução nos índices de desmate na Amazônia: fiscalização mais atuante, embargar remotamente áreas produtivas com derrubada ilegal, restringir o crédito a desmatadores, e articulação e repasse de recursos para que os municípios abordem o problema. No entanto, ela ressalta que esse trabalho está sob ameaça da Câmara e do Senado.
“Isso precisa ser uma questão permanente, porque agora temos várias brigas no Congresso Nacional para destruir coisas que são importantes para essa agenda, como, por exemplo, a redução na Floresta Nacional do Jamanxim, a redução de outras Unidades de Conservação, a restrição ao embargo remoto, que são instrumentos importantes”, alertou.
Quanto ao Cerrado, Ane explica que os índices ainda muito altos de desmate no bioma se devem a maiores dificuldades legais. Lá a legislação ambiental é mais permissiva. No Cerrado, é possível desmatar até 80% dos imóveis rurais, enquanto na Amazônia o limite é de 20%. Além disso, a maioria do Cerrado é de propriedades privadas, enquanto na Amazônia a maior parte é terra pública.
“Então, uma das formas para reduzir o desmatamento no Cerrado é avançar no entendimento da regularização fundiária. Além disso, melhorar o processo de licenciamento, para que possamos realmente identificar o que é legal e ilegal, e investir em instrumentos econômicos que valorizem quem conserva além daquele mínimo exigido por lei”, detalhou a pesquisadora.
Valor, ESG Inside e Terra também repercutiram a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado pelo DETER/INPE.





