Inundações matam 23 pessoas e deixam mais de 100 desaparecidos no Afeganistão

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Inundações matam 23 pessoas e deixam mais de 100 desaparecidos no Afeganistão

Pelo menos 23 pessoas morreram e mais de 80 ficaram feridas após enchentes-relâmpago no leste do Afeganistão. As inundações, causadas por fortes chuvas de monção na última 2ª feira (20/7), atingiram comunidades em Parun, capital da província de Nuristão, perto da fronteira com o Paquistão. Mais de 100 pessoas continuavam desaparecidas até a tarde de ontem (21/7). Equipes de resgate continuavam trabalhando para localizar desaparecidos e resgatar vítimas do desastre.

As inundações também provocaram deslizamentos de terra e desabamentos de edifícios, potencializando os danos. Tratores estavam sendo usados para remover lama e concreto, enquanto moradores recorriam a pás para cavar a terra em busca de familiares e amigos.

O Nuristão é uma das províncias menos desenvolvidas do Afeganistão – país que segue isolado da comunidade internacional desde o retorno do grupo fundamentalista Talibã ao poder em 2021. A região conta com pouquíssimas estradas asfaltadas e tem restrições nos serviços de telefone e internet. Por conta da distância de Cabul, capital afegã, a ajuda emergencial do governo estava prevista para chegar apenas hoje.

O isolamento político do Afeganistão também atrapalha a oferta de ajuda às vítimas. Como o New York Times lembra, o país já vive uma crise humanitária agravada pelos cortes de ajuda dos Estados Unidos e de outras potências e pelo retorno forçado de mais de 3,5 milhões de pessoas de nações vizinhas, como Irã e Paquistão, desde o início do ano passado.

Um dos países do mundo mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, o Afeganistão ainda deve sofrer com mais chuvas de monção de intensidade acima da média nos próximos dias. Segundo a AP, a previsão para os próximos dias é de chuvas intensas, tempestades, ventos fortes acompanhados de areia e inundações relâmpago em 10 das 34 províncias do país. O governo do Talibã alertou os moradores a evitar as margens dos rios e outras áreas com risco de deslizamento de terra ou de inundação.

AFP, Al Jazeera, BBC, DW, Guardian e Reuters também noticiaram as inundações-relâmpago no leste do Afeganistão.