Chefe da IEA insta União Europeia a apoiar exploração de combustíveis fósseis no Ártico

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Chefe da IEA insta União Europeia a apoiar exploração de combustíveis fósseis no Ártico

A Agência Internacional de Energia (IEA) tem mantido sua projeção de pico da demanda global por combustíveis fósseis até 2030, apesar das pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que reduziram a oferta de petróleo e gás, diminuindo também o consumo, a IEA vem sistematicamente prevendo excesso de oferta em 2027. Por isso, surpreende que o diretor-executivo da agência, Fatih Birol, defenda a revisão pela União Europeia de sua oposição à nova exploração de combustíveis fósseis no Ártico – que, assim como a Amazônia, é uma das regiões que especialistas e ativistas defendem ser declarada como zona livre de petróleo e gás (FFZ, sigla em Inglês).

Birol pediu uma revisão da moratória europeia após uma reunião com o ministro das Finanças da Noruega, Jens Stoltenberg, em Bruxelas, informam Bloomberg, Reuters e Oil Price. “Apoio a Comissão [Europeia] na análise minuciosa desta questão, pois ela é extremamente importante para a segurança energética europeia”, disse o chefe da IEA. “O mundo precisa de cada gota de petróleo da Noruega.”

A moratória da UE sobre a perfuração no Ártico foi decretada em 2021 devido aos compromissos climáticos e às preocupações ambientais do bloco. A proibição não permite a perfuração nas partes setentrionais do Mar de Barents, território norueguês onde se estima conter a maior parte das reservas restantes de petróleo e gás do país.

A Noruega não é membro da UE, mas é a maior fornecedora de gás fóssil para os mercados europeus. Por isso tem pressionado o bloco nos últimos meses pelo abandono de sua oposição à perfuração no Ártico. A guerra no Irã, que provocou a maior interrupção no fornecimento de petróleo e gás da história, reforçou os argumentos do país quanto a Europa precisar de um fornecimento confiável proveniente de locais fora das zonas de conflito. O clima que espere.

Por outro lado, os críticos ao fim da moratória afirmam que flexibilizar as regras de perfuração no Ártico não ajudará no curto prazo. Afinal, o desenvolvimento de novos campos na região levaria mais de uma década para entrar em operação, tornando-os ineficazes para solucionar os atuais problemas energéticos do continente, ao mesmo tempo em que coloca em risco ainda mais um ecossistema já ameaçado.

Na semana passada, seis investidores institucionais juntaram-se a um apelo para que a UE mantenha a sua oposição, afirmando que os Estados-membros precisam continuar empenhados na sua transição ecológica.