Uma possível mancha de petróleo está se expandindo no Golfo Pérsico perto da principal área petrolífera do Irã, a Ilha de Karg. O vazamento – que aparece como uma mancha cinza e branca – foi detectado pelos satélites Sentinel-1, Sentinel-2 e Sentinel-3 do programa Copernicus, entre 6 e 8 de maio.
Para especialistas citados por O Globo, a mancha é visivelmente consistente com óleo e cobria mais de 52 km² até 5ª feira (7/05). Segundo estimativa da Orbital EOS, mais de três mil barris de petróleo podem ter sido derramados. A mancha, que se estende em direção às águas sauditas, é a maior a ocorrer desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, há 70 dias.
Como a CNN Brasil pontua, por ora não há causa do possível vazamento nem seu ponto de origem, mas existem especulações. A ilha de Kharg, que já foi alvo de ataques militares, é o centro de 90% das exportações de petróleo do Irã. Os ataques deixaram as embarcações e instalações mais vulneráveis a vazamentos.
Além disso, com a restrição do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, o Irã está ficando sem locais para armazenar seu petróleo, o que aumenta as preocupações com possíveis vazamentos e acidentes. Há quem acredite que o Irã está despejando propositalmente o óleo no mar justamente por este motivo, mas não há evidências para isso, contam g1 e Reuters.
Há também indícios de ruptura de um oleoduto submarino que liga o centro de operações ao campo petrolífero de Abuzar, um importante campo offshore na Ilha de Kharg.
A queda dos estoques globais de petróleo está levando países a enfrentarem uma escassez preocupante, principalmente no Sudeste Asiático. O cenário deve se tornar crítico em junho, informam Valor e InfoMoney.
Entre 1º de março e 25 de abril, o Morgan Stanley estima que os estoques globais de petróleo caíram cerca de 4,8 milhões de barris por dia.
Enquanto isso, a demora do Irã em responder ao plano americano para o fim da guerra sugere insatisfação de Teerã. Segundo o analista Lourival Sant’Anna, além dos 14 pontos apresentados pelos americanos, o país quer garantias de outras nações antes de avançar nas negociações, relata a CNN Brasil.
“O Irã não tem confiança suficiente nos Estados Unidos e quer garantias de outros países antes de abrir o estreito”, afirmou Lourival Sant’Anna.
O analista lembra que, em 28 de fevereiro, havia um cessar-fogo em vigor e negociações em andamento, que foram violadas pelos Estados Unidos e Israel, segundo o Irã. Para não repetir a cena, o país busca respaldo da Europa ou da China para seguir com as tratativas.
NY Times, Fox News, Xinhua.net e Bloomberg também falaram sobre a possível mancha de petróleo no Golfo Pérsico.





