Financiamento trava transição energética no nível local, dizem líderes em Santa Marta

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Financiamento trava transição energética no nível local, dizem líderes em Santa Marta

Santa Marta, 27 de abril — Como financiar a transição energética em economias ainda dependentes de petróleo e gás foi o foco de um painel de alto nível nesta segunda (27), reunindo representantes de governos subnacionais e nacionais durante a conferência sobre transição além dos combustíveis fósseis. A discussão partiu de um diagnóstico comum: embora as soluções tecnológicas já existam, o financiamento da transição segue sendo um dos principais gargalos, especialmente no nível local.

O painel buscou responder como governos regionais podem substituir receitas fósseis, lidar com restrições fiscais e, ao mesmo tempo, avançar em metas climáticas. Entre os temas centrais estiveram a dificuldade de acessar capital a custos viáveis, a ausência de instrumentos financeiros adaptados ao nível subnacional e o desalinhamento entre fluxos globais de investimento e as necessidades da transição em países em desenvolvimento.

Ao longo da sessão, os participantes apresentaram experiências concretas e prioridades distintas, desde a diversificação econômica em regiões dependentes de petróleo até estratégias de inovação e competitividade em economias mais avançadas. Houve também críticas ao modelo atual de financiamento climático e defesa de compensações para países que preservam ativos ambientais estratégicos.

O debate sobre financiamento da transição já aponta para uma disputa mais profunda: quem vai capturar os ganhos industriais da economia pós-fóssil.

Espírito Santo, Brasil
O estado brasileiro destacou o uso de receitas de petróleo para financiar a diversificação econômica e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

“Começamos com US$ 100 milhões em recursos públicos. Sabemos que o recurso público não é suficiente. O desafio é usar esses fundos para atrair capital privado e viabilizar a diversificação da economia”, disse Gabriela Vichi, diretora-executiva do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (BANDES).

Delta do Niger, Nigéria
A delegação destacou o desafio de alinhar transição energética com geração de empregos, especialmente para a população jovem.

“O nosso foco é levar a transição para os territórios e para as comunidades — porque é ali que estão os empregos e o futuro dessa agenda”, afirmou o representante do Ministério de Desenvolvimento Regional da Nigéria, em nome do ministro Abubakar Momoh.

Califórnia, Estados Unidos
A representante californiana enfatizou o papel de políticas públicas estáveis na atração de investimentos e na manutenção da competitividade.

“Temos um plano para atingir a neutralidade de carbono até 2045. A transição já está em curso — o que precisamos é de políticas estáveis que deem previsibilidade ao mercado e permitam escalar os investimentos”, disse Sara Ittelson, da Agência de Proteção Ambiental da Califórnia.

Quebec, Canadá
O enviado climático da província destacou a decisão política de abandonar a exploração fóssil e criticou a falta de financiamento global.

“Estamos enfrentando um inimigo comum, mas ainda não conseguimos mobilizar o financiamento necessário. Enquanto isso, há dinheiro abundante para outras prioridades, como a guerra, mas não encontramos dinheiro para enfrentar o maior desafio comum, que é o clima”, afirmou Jean Lemire, enviado climático de Quebec.

Azuay, Equador
O representante equatoriano defendeu que países com grandes ativos naturais devem ser compensados por seu papel na estabilização do clima global.“Não se trata apenas de financiamento — trata-se de compensar quem protege.”, disse Juan Cristóbal Lloret, prefeito (prefect) da província de Azuay.