A petrolífera britânica BP – que reduziu investimentos em fontes renováveis e ampliou recursos para combustíveis fósseis – enfrentou uma “rebelião” de acionistas em sua assembleia geral anual, realizada na 5ª feira (23/4). Investidores rejeitaram uma resolução da administração que diminuía a transparência das informações climáticas da empresa. E o presidente do conselho de administração, Albert Manifold, recebeu um número significativo de votos de protesto.
Além do fim de duas exigências específicas de divulgação climática, o comando da BP propôs aos acionistas a realização de assembleias exclusivamente online. Cada resolução precisava de 75% dos votos para ser aprovada, segundo CNBC e Times Brasil. No entanto, ambas receberam menos de 50% de apoio e, portanto, não vingaram.
Ainda, 82% dos acionistas votaram pela eleição de Manifold para comandar o conselho da companhia. Embora precisasse de 50% mais um voto para se manter no posto, a votação é uma clara rejeição, segundo a Bloomberg, já que diretores normalmente recebem aprovações próximas a 100%.
Antes da assembleia, o conselho da BP bloqueou uma proposta do Follow This – grupo ativista de acionistas que lidera votações em assembleias de grandes petrolíferas exigindo metas de emissão mais rígidas. O texto exigia que a petrolífera apresentasse planos para gerar valor aos acionistas em cenários futuros de queda na demanda por petróleo e gás.
O fundador do Follow This, Mark van Baal, classificou o resultado das votações como “extremamente constrangedor” para a BP. Nick Mazan, líder de estratégia para petróleo e gás do grupo climático ACCR, afirmou que o resultado foi “sem precedentes e mostra que os investidores estão cansados da falta de disciplina de capital da BP e de sua postura em relação aos direitos dos acionistas.”
“Essa demonstração coletiva de força coloca a nova liderança da BP sob pressão: a empresa precisa provar que o aumento planejado nos investimentos em exploração e produção [de petróleo e gás] pode gerar valor aos acionistas”, acrescentou Mazan.
Reuters, Net Zero Investor e The Independent também repercutiram a rebelião de acionistas na assembleia anual da BP.

