Os líderes da Agência Internacional de Energia (IEA), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial discutirão o choque do petróleo causado pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã na próxima 2ª feira (13/4), informa a Reuters. Apesar do cessar-fogo de duas semanas e da reabertura do Estreito de Ormuz, os estragos provocados pelo conflito na infraestrutura de combustíveis fósseis do Oriente Médio e as incertezas sobre um retorno dos ataques mantêm os preços elevados (leia aqui).
Fatih Birol, da IEA, Kristalina Georgieva, do FMI, e Ajay Banga, do Banco Mundial, concordaram na semana passada em formar um grupo de coordenação para ajudar a lidar com a guerra, que causou uma das maiores crises de escassez de oferta na história do mercado global de energia, lembra a Reuters. O mecanismo de resposta das entidades poderia incluir aconselhamento político direcionado, avaliação das potenciais necessidades de financiamento e fornecimento de apoio, inclusive por meio de financiamento a juros baixos ou nulos, bem como ferramentas não especificadas de mitigação de riscos.
Na 3ª feira (7/4), Birol disse em entrevista ao Le Figaro, repercutida por Reuters e Guardian, que a atual crise do petróleo e do gás é “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”. O diretor-executivo da IEA pontuou que países europeus, assim como o Japão e a Austrália, sofrerão, mas os mais vulneráveis são as nações em desenvolvimento, que sofrerão com o aumento dos preços de petróleo e gás e também dos alimentos e uma aceleração geral da inflação. Em resumo: novamente a bomba mais potente estoura no Sul Global por erros do Norte.
Ao Financial Times, Birol previu mudanças no mercado energético global após o atual choque do petróleo. Para ele, as fontes renováveis receberão um novo impulso, mas também haverá uma aceleração da energia nuclear por meio de pequenos reatores modulares – vale lembrar que a agência considera a fonte como uma alternativa de descarbonização energética, apesar de seus imensos perigos. No curto prazo, porém, o carvão pode ganhar força.
O chefe da IEA ainda projeta um grande impulso aos veículos elétricos, com os consumidores pensando duas vezes antes de adquirir modelos a combustíveis fósseis. A dependência do gás fóssil também entrará em xeque. E o prêmio de risco geopolítico para produtos energéticos será maior. Importadores não olharão apenas para produto e preço, mas também avaliarão cuidadosamente quem está vendendo em termos de segurança energética, diz Birol.
A projeção de Birol é compartilhada por analistas ouvidos pelo Financial Times. O carvão pode ser um dos primeiros beneficiários imediatos da guerra no Oriente Médio, mas, no longo prazo, o conflito deve acelerar a adoção de tecnologias mais limpas, à medida que governos em todo o mundo buscam reduzir a dependência de importações de combustíveis fósseis vindos de regiões instáveis.





