Governos da Ásia e Oceania gastam bilhões de dólares para conter choque do petróleo

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Governos da Ásia e Oceania gastam bilhões de dólares para conter choque do petróleo

O choque do petróleo causado pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã afeta todo o mundo. Mas países da Ásia e da Oceania estão sentindo ainda mais os efeitos do conflito, tanto pela escalada dos preços dos combustíveis fósseis quanto por restrições no abastecimento. Resultado: governos nacionais já estão desembolsando (ou deixando de embolsar) bilhões de dólares para tentar conter os altos de preços e as pressões inflacionárias.

Das fazendas na Nova Zelândia às fábricas de Délhi, na Índia, os efeitos da crise do petróleo se espalham por ambos os continentes. O Guardian mostra como as pessoas estão sendo afetadas. Para evitar a piora da situação, alguns governos já tomaram medidas que superam US$ 50 bilhões (R$ 258 bilhões) em gastos públicos – e a conta continua subindo.

A Indonésia é um exemplo. O país destinou US$ 22,4 bilhões (R$ 115 bilhões) para subsidiar a energia e compensar a estatal Pertamina e a concessionária de serviços públicos PLN por manterem os preços de combustíveis e as tarifas de eletricidade em níveis acessíveis, segundo a Reuters.

Na Coreia do Sul, o governo propôs um orçamento suplementar de US$ 17,3 bilhões (R$ 89 bilhões) para apoiar pessoas de baixa renda, jovens e empresas em resposta aos altos preços do petróleo. A expectativa é de que o Parlamento sul-coreano aprove a proposta até 6ª-feira (10/4).

Na Austrália, o primeiro-ministro Anthony Albanese disse que o governo reduziria pela metade o imposto sobre combustíveis e suspenderia a taxa para veículos pesados por três meses, medida que custará US$ 1,76 bilhão (R$ 9 bilhões). O país ainda disponibilizará até US$ 1,45 bilhão (R$ 7,5 bilhões) em empréstimos sem juros para empresas essenciais, incluindo operadoras de transporte e produtoras de fertilizantes – setores duramente afetados pela alta dos combustíveis fósseis.

Enquanto os governos fazem mais e mais contas e desembolsam mais dinheiro, refinarias europeias e asiáticas já estão pagando preços recordes de quase US$ 150 por barril para alguns tipos de petróleo bruto, segundo a Reuters. O valor é muito superior aos preços dos contratos futuros, o que evidencia o agravamento da crise de abastecimento.

A União Europeia ainda não sente “uma crise de segurança de abastecimento”, disse ao Financial Times o comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen. No entanto, o bloco está avaliando “todas as possibilidades”, incluindo o racionamento de combustível e a liberação de mais petróleo das reservas de emergência, enquanto se prepara para um choque energético “duradouro” causado pela guerra.

Nessa linha, cinco países da UE – Alemanha, Itália, Espanha, Portugal e Áustria – estão defendendo a criação de um imposto sobre os lucros extraordinários das empresas de energia, em resposta ao aumento dos preços dos combustíveis, informam Reuters e Bloomberg. Tal medida poderia ajudar a financiar o alívio aos consumidores diante dos altos preços e ser um sinal de que “estamos unidos e somos capazes de agir”, afirmaram os ministros das Finanças dos países em carta divulgada no fim da semana passada.