“Não se pode debater a transição [energética] sem ouvir os projetos das empresas responsáveis por 80% da energia do mundo.” Esta é a explicação do presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, para convidar os CEOs de grandes petrolíferas do mundo para a conferência do clima em Belém.
Corrêa do Lago já chamou os presidentes da Petrobras, Magda Chambriard; da estadunidense ExxonMobil, Darren Woods; da saudita Aramco, Amin Nasser; e Sultan Ahmed Al Jaber, da Adnoc dos Emirados Árabes Unidos e presidente da COP28. A base do convite é a Oil and Gas Climate Initiative (OGCI), aliança liderada pelos CEOs de empresas de petróleo e gás fóssil, informou Daniela Chiaretti no Valor.
Além de Petrobras, Exxon e Aramco, a OGCI também conta com a britânica BP, as estadunidenses Chevron e Occidental, a chinesa CNPC, a italiana Eni, a norueguesa Equinor, a espanhola Repsol, a anglo-holandesa Shell e a francesa TotalEnergies. Um convite formal aos demais CEOS será feito por Corrêa do Lago por meio da aliança.
A reunião com empresas de petróleo e gás é um dos pontos da Agenda de Ação da COP30, conjunto de eixos, metas e prioridades estabelecidos pelo governo para a conferência. “É essencial saber como as empresas querem fazer a transição, com quais tecnologias, como está o CCS [captura e armazenamento de carbono]. [Mas] Não é só para discutir. Pode-se chegar, por exemplo, a um compromisso. Estamos propondo ‘pledges’ estruturados e que vão permitir acompanhamento e mais monitoramento”, detalhou o presidente da COP30.
Ok, é importante saber o que as empresas de petróleo e gás, as principais responsáveis pelas mudanças climáticas, pretendem fazer para reverter o estrago causado por elas – no melhor estilo “é melhor manter o inimigo perto do que deixá-lo livre longe”. No entanto, também é preciso cuidado.
As últimas COPs foram marcadas pelo crescente lobby dos combustíveis fósseis, com presença maciça de representantes da indústria de petróleo e gás tentando influenciar as negociações. Não à toa o transition away incluído a duras penas no documento final da COP28, em Dubai, desapareceu em Baku, na COP29. Há que se ficar atento.





