Quando recebeu sinal verde do presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, para a Avaliação Pré-Operacional (APO, espécie de simulado de vazamento) no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, a Petrobras pretendia iniciar o teste no dia 14 de julho. A pressão da petroleira, porém, não funcionou: segundo o órgão ambiental, ainda não há uma data definida para a atividade.
De acordo com a Folha, a expectativa no IBAMA é que a APO no bloco 59 comece somente em agosto. Em uma etapa prévia, técnicos do órgão vistoriaram nos últimos dias as embarcações de resposta a vazamentos e de resgate de animais, bem como a base para cuidar da fauna impactada, construída pela Petrobras no Oiapoque (AP).
Com isso, o IBAMA deixou para esta semana o planejamento da APO. Nessa etapa, o órgão definirá o roteiro da simulação e quais critérios serão avaliados, por exemplo – um trabalho que deve perdurar por algumas semanas. Por isso, o simulado não deve acontecer neste mês.
Enquanto a Petrobras aguarda o sinal verde do IBAMA para a APO, a Deutsche Welle destacou os cálculos de Shigueo Watanabe Jr., especialista em mudanças climáticas e pesquisador do ClimaInfo, sobre o impacto das reservas de combustíveis fósseis da Foz do Amazonas sobre as emissões globais de carbono. São 4,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e), mais de duas vezes o que o Brasil emitiu em 2023.
Somando as demais bacias da Margem Equatorial – toda a região litorânea entre o Amapá e o Rio Grande do Norte –, o volume de emissões totaliza 13,5 bilhões de tCO₂e. É mais do que o Brasil emitiu nos últimos cinco anos, incluindo o desmatamento, a agropecuária e o setor de energia.
“Se tiver aquele petróleo todo [projetado pela Empresa de Pesquisa Energética, EPE], se tirar o petróleo todo e se ele for transformado em gasolina, diesel e GLP, e queimado, é muita coisa que será emitida”, reforçou Watanabe Jr..
Já o Valor abordou um efeito colateral da tarifa de 50% imposta por Trump às importações brasileiras dos EUA. Para o chefe de estratégia de combustíveis e refino para América Latina da S&P, Felipe Perez, a “Tarifa Bolsonaro” – já que ela visa livrar a cara do ex-presidente Jair Bolsonaro em suas encrencas judiciais no Brasil – pode afetar as relações das petroleiras estadunidenses que atuam aqui, como as Exxon e Chevron, que adquiriram áreas na foz no “leilão do fim do mundo” promovido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em junho.
“Temos que entender até onde vai e como será a resposta brasileira a essa taxa, o que pode iniciar um jogo de retaliações. Em um momento em que temos empresas dos EUA entrando em áreas da Foz do Amazonas, o cenário fica complicado”, explicou Perez.




