As emissões de blocos ofertados em leilão de petróleo e gás do Brasil podem superar as dos últimos seis anos do agronegócio

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As emissões de blocos ofertados em leilão de petróleo e gás do Brasil podem superar as dos últimos seis anos do agronegócio

No dia 17 de junho de 2025, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) finalizará o 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, um mega leilão de 172 blocos para exploração de petróleo e gás, incluindo áreas da Margem Equatorial, nas bacias da Foz do Amazonas e Potiguar, e o bloco de Parecis, em Rondônia e na parte amazônica de Mato Grosso.

A queima do petróleo e gás nos blocos ofertados pode emitir mais de 11 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), segundo estimativa do Climainfo. É mais do que o agronegócio emitiu nos últimos 6 anos e 5% de tudo que a humanidade ainda pode emitir para manter o aquecimento global em 1.5oC. Apenas os combustíveis fósseis que vêm do petróleo dos 47 blocos na bacia da Foz do Amazonas poderão emitir 4,7 bilhões de tCO2e, caso os blocos sejam explorados.

As bacias amazônicas no foco

Além da Foz do Amazonas, o território amazônico abriga outras seis bacias sedimentares: Parecis, Solimões, Amazonas, Parnaíba, Barreirinhas e Pará-Maranhão. O potencial total estimado de petróleo e gás sob essas bacias é de quase 60 bilhões de barris. Se confirmado – e explorado -, a queima associada desses combustíveis fósseis poderia emitir cerca de 24 bilhões de tCO₂e. Isso é quase a metade de todas as emissões globais de 2023 (57 bilhões de toneladas) ou tudo que o Brasil emitiu nos últimos 11 anos. 

Emissões das bacias de petróleo e gás localizadas na Amazônia

Segundo a ANP, existem 5 bacias sedimentares na Amazônia:

– Parecis

– Solimões

– Amazonas

– Parnaíba

– Barreirinhas

– Pará-Maranhão

– Foz do Amazonas

Solimões (Coari-Urucu), Amazonas (Silves) e Parnaíba produzem petróleo e gás há tempos.

As reservas – provadas, prováveis e possíveis – somam 4,5 bilhões de barris equivalentes de petróleo (somando as reservas de petróleo com as de gás fóssil).

Portanto, queimar o gás e os derivados desse petróleo emitiria mais de 2 bilhões de toneladas de CO2  que é um pouco menos do que o país anda emitindo anualmente. Em 2023 o país emitiu um total de 2,3 bilhões;

No entanto, existem expectativas de haver quase 60 bilhões de barris. Aí, as emissões seriam de 24 bilhões de toneladas de CO2. O mundo emitiu 57 bilhões em 2023.

Basicamente o mesmo que o Brasil emitiu nos últimos 11 anos ou quase a metade do que o mundo todo emitiu em um ano.

Emissões prováveis associadas ao 5º ciclo da Oferta Permanente de Concessão:

11,1 bilhões tCO2e (mais do que as emissões por desmatamento 2019-23)

bacia #blocos %total) bilhões barris bilhões tCO2e
Foz do Amazonas 47 100% 10,5 4,70
Pelotas 34 100% 10,0 4,50
Potiguar 16 100% 0,23 0,10
Parecis 21 100%
Santos 54 4,0 1,8
  • O 5º Ciclo da Oferta Permanente pode gerar emissões até 11,1 bilhões tCO2e,

que é mais do que o agronegócio emitiu nos últimos 6 anos. 

  • Esses 11,1 bilhões tCO2e correspondem a 5% de tudo que a humanidade ainda pode emitir para manter o aquecimento global em 1.5C.