Um projeto de energia solar da empresa norueguesa Statkraft prevê o desmatamento de 1.554 hectares de caatinga nativa em Uibaí (BA). A empresa já obteve licença prévia do Inema (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia) e autorização para desmatar inicialmente 454 hectares – área equivalente a três vezes o Parque Ibirapuera – onde instalará 22 usinas fotovoltaicas com 1,3 milhão de painéis solares, reportou a Folha. Ambientalistas da ONG Umbu, alertam que o projeto ameaça a frágil biodiversidade local e pode acelerar o processo de desertificação na região, que já sofre com severas secas.
A situação se agrava pelo histórico de impactos causados pelo Complexo Eólico Ventos de Santa Eugênia, da mesma empresa, que começou a operar em 2024 na mesma área. Comunidades quilombolas e agricultores relatam o desaparecimento de nascentes e redução de áreas para pastagem desde a instalação das torres eólicas. Em novembro de 2024, o Ministério Público da Bahia conseguiu uma liminar suspendendo o desmatamento, por falta de consulta prévia às comunidades e ausência de estudos sobre espécies ameaçadas, mas a decisão foi revertida 90 dias depois, permitindo a supressão vegetal.
Os manifestantes propuseram alternativas à Statkraft, sugerindo a instalação dos painéis solares em áreas já degradadas da região, o que evitaria novo desmatamento e ainda injetaria recursos na agricultura familiar local. Entretanto, a empresa manteve o projeto original, alegando exigências técnicas do setor elétrico e afirmando cumprir todas as normas ambientais, com 15 programas de mitigação em andamento. O caso ilustra o delicado equilíbrio entre a necessária transição energética e a preservação de biomas sensíveis como a Caatinga, além de levantar questões sobre os processos de licenciamento ambiental e o respeito aos Direitos das Comunidades Tradicionais.





