“Negação econômica” é obstáculo para ação climática, alerta presidente da COP30

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O mundo está enfrentando uma nova forma de negação climática, segundo o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago. Não se trata de uma rejeição da ciência climática, mas um ataque coordenado à ideia de que a economia pode ser reorganizada para combater a crise, alertou.

Em entrevista ao Guardian, repercutida pelo InfoMoney, Corrêa do Lago disse acreditar que sua maior tarefa será combater a tentativa de alguns interesses instalados de impedir políticas climáticas que visem mudar a economia global para uma base de baixo carbono. “Há um novo tipo de oposição à ação climática. Não é uma negação científica, é uma negação econômica.”

A negação econômica pode ser tão perigosa quanto a negação científica da crise climática. Para Corrêa do Lago, não é mais possível haver negacionismo [científico] depois de tudo o que aconteceu nos últimos anos. “Portanto, há uma migração da negação científica para a negação de que medidas econômicas contra as mudanças climáticas possam ser benéficas para a economia e para as pessoas”, explicou.

Um dos grandes desafios da COP30 é avançar no financiamento climático, que tem relação com o negacionismo econômico apontado por Corrêa do Lago. E no II Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza (FFCN), promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e outras seis organizações no Rio de Janeiro, a CEO da conferência, Ana Toni, lembrou que o financiamento não é caridade, destacou a Agência Brasil.

“Conseguir um maior fluxo de financiamento dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento não é boa ação, bondade, caridade. O interesse em mobilizar até US$ 1,3 trilhão para os países em desenvolvimento deveria ser dos desenvolvidos, que não estão liberando esse recurso”, disse.

Quanto à outra dor de cabeça da conferência do clima, a infraestrutura, Corrêa do Lago explicou que a questão logística de Belém, que sediará o evento, não está sob sua responsabilidade, informou a TV Cultura. O presidente da COP30 apontou que o principal problema é o custo elevado das hospedagens, que não acompanha a demanda crescente. E também mencionou que o aeroporto da cidade ainda não está pronto. Mas, ainda assim, ele acredita que os governos federal e do Pará irão equacionar essas pendências até a conferência do clima.