O Brasil perdeu 45% de suas áreas de fragmentos de vegetação nativa desde 1986, que, em média, também ficaram 43% menores, de acordo com nova análise divulgada pelo MapBiomas na 5ª feira (29/10). Há 40 anos, o país tinha 2,35 milhões de fragmentos de vegetação nativa, com área média de 287 hectares. Já em 2024, eram 3,41 milhões de fragmentos, com área média de 163 hectares.
Quase metade (49%) dos fragmentos de vegetação nativa que ainda existem no Brasil está concentrada em apenas cinco estados — Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Paraná. Já a Região Norte apresenta as maiores áreas médias de fragmentos, sendo que no Amazonas essa área média é de 4 mil hectares, a maior entre os estados. Em 46% dos municípios brasileiros, a área média dos fragmentos é inferior a 25 hectares, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul e no litoral.
Fragmentos são porções de vegetação nativa separadas por áreas em que a vegetação foi suprimida e substituída por pastagens, lavouras ou áreas urbanas. A fragmentação da vegetação nativa reduz a conectividade, afetando a capacidade de dispersão e reprodução das espécies nativas, reduzindo o fluxo gênico e aumentando o risco de extinções locais.
“Quanto mais fragmentada fica a paisagem, menor é a área média de seus fragmentos, o que é muito ruim do ponto de vista ambiental, pois aumenta a exposição aos efeitos de borda e ao fogo, especialmente em anos de eventos climáticos extremos”, explicou Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador técnico do grupo de Degradação do MapBiomas.
Os dados do MapBiomas indicam que entre 37 e 102 milhões de hectares de vegetação nativa estão em áreas de borda, definidas como faixas de 30 a 150 metros a partir do limite com áreas antropizadas. Nessas faixas, a vegetação está mais exposta a fatores provenientes das áreas vizinhas, como vento, radiação solar, resíduos de agrotóxicos e fogo. O Cerrado tem a maior área absoluta de vegetação de borda, entre 11 e 32 milhões de hectares, e a Mata Atlântica, a maior proporção, entre 29% e 66%.
A Mata Atlântica e o Cerrado são os biomas com maior número de fragmentos, com 1,38 milhão e 957 mil, respectivamente. As menores áreas médias estão na Mata Atlântica (25 hectares), no Pampa (81 hectares) e no Cerrado (105 hectares). Na Amazônia, o número de fragmentos passou de 144 mil em 1986 para 519 mil em 2024, alta de 260%; já a área média caiu de 2,7 mil para 662 hectares, queda de 76%.
Segundo o MapBiomas, entre os 20 maiores municípios com menor área média de fragmentos, 12 estão localizados no Sudeste, cinco no Nordeste e três no Sul. A menor área média do país está em São João do Meriti, na Baixada Fluminense (RJ), com 1,9 hectare por fragmento. Já entre os 20 municípios com maiores áreas médias, 19 estão no Norte, com destaque para Itamarati (AM), com 65,6 mil hectares de área média. A exceção é Barra D’Alcântara (PI), com área média de 26 mil hectares.
Agência Brasil, CNN Brasil, g1, Neomondo e Veja destacaram as informações.





