Google derruba ilegalmente 400 mil árvores na Finlândia para instalar data center

0
15

Na Finlândia, atrás de uma cerca de arame farpado, estende-se uma vasta ferida aberta na terra. Antes da chegada da Google, há alguns meses, cerca de 250 mil árvores ocupavam 330 hectares de floresta perto da cidade de Muhos, na zona rural do norte finlandês. Agora, todas desapareceram. Outras 150 mil árvores foram derrubadas pela Big Tech em Otanmäki, a cerca de 100 km a sudeste de Muhos, estima Mari Annala, da Associação Finlandesa para a Conservação da Natureza.

A Google desmatou ilegalmente toda a área em Muhos para construir um data center, ação que retirou até mesmo a camada superficial do solo. Depois dessa devastação, tudo o que restou foi uma vasta extensão de lama com marcas de máquinas, poças e montes de terra, raízes e galhos. Moradores dizem que a água marrom que escorre do local está desaguando em um riacho que alimenta o rio Oulujoki, detalha o Guardian.

Depois dessa tragédia ambiental, a Finlândia viu uma onda de indignação crescer no país e ampliar o debate sobre os custos ambientais da expansão da inteligência artificial, destacam O Globo e Veja. As obras foram suspensas por enquanto, mas moradores e ambientalistas permanecem questionando os benefícios econômicos dos investimentos das gigantes de tecnologia, diante dos possíveis impactos sobre o meio ambiente e as comunidades locais.

O desmatamento em Muhos e Otanmäki é parte de um projeto de infraestrutura de dados da Google avaliado em cerca de 13 bilhões de euros (R$ 73 bilhões). É o maior investimento do tipo já anunciado no país nórdico. Com 145 novos centros de dados em diferentes fases de planejamento, a Finlândia lidera a mais recente investida das Big Techs. Além de sua relativa estabilidade geopolítica e geológica e da abundância de terras, o clima frio a torna especialmente atraente para a economia de custos de energia.

Mas, no início deste mês, a Autoridade Finlandesa de Licenciamento e Supervisão (LVV) ordenou à Google que interrompesse temporariamente as obras em Muhos e também em Otanmäki, após a empresa não ter concluído as avaliações de impacto ambiental necessárias antes de desmatar as áreas. Na semana passada, o diretor da Google na Finlândia, Antti Järvinen, pediu desculpas pelo desmatamento, mas disse que a empresa agiu “com base no melhor entendimento que tínhamos da legislação na época”.

Além da indignação generalizada, a notícia provocou um debate nacional sobre qual papel o país deve desempenhar na corrida global para construir data centers e acompanhar o desenvolvimento da IA. Há ainda questionamentos sobre o motivo pelo qual as fontes renováveis de energia finlandesas estão sendo usadas para abastecer corporações internacionais. E mais de 93 mil pessoas assinaram uma petição exigindo maior regulamentação dos centros de dados e uma taxa para compensar as comunidades locais pelos danos ambientais.

Estadão, Newsweek e Times Brasil também repercutiram o desmatamento ilegal promovido pela Google na Finlândia.