Operação ÔM3GA: prefeitos e outros investigados são identificados em apuração sobre suposto esquema de corrupção no Tocantins

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Decisão do Tribunal de Justiça revela nomes de gestores municipais e de outros envolvidos na investigação que apura suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e pagamento de mais de R$ 4 milhões em propinas.

A Operação ÔM3GA, deflagrada na quarta-feira (14) pela Polícia Civil do Tocantins, colocou sob investigação prefeitos, vereadores, servidores públicos, empresários e profissionais ligados a contratos administrativos municipais. A ação apura um suposto esquema de corrupção que teria movimentado mais de R$ 10 milhões em recursos públicos, com suspeitas de pagamentos superiores a R$ 4 milhões em propinas.

A operação mobilizou mais de 100 policiais civis para o cumprimento de 70 mandados de busca e apreensão, relacionados a 41 alvos, em 11 municípios tocantinenses. As investigações são conduzidas pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC) de Araguaína, com autorização do Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO).

Quem são os prefeitos identificados?

Uma decisão judicial relacionada à operação identifica três prefeitos em exercício entre os agentes políticos alcançados pela investigação:

  • Robson Pereira da Silva, prefeito de Ananás, conhecido como Robson do Zé Geraldo.
  • Paulo Antonio Pedreira, prefeito de Arapoema.
  • Raimundo Maciel de Figueiredo, prefeito de Darcinópolis.

A Polícia Civil informou que quatro prefeitos em exercício e um ex-prefeito estão entre os investigados. Entretanto, os nomes dos outros dois gestores não foram confirmados nas informações públicas consultadas.

Outros nomes citados na investigação

A decisão judicial também identifica seis pessoas contra as quais a Polícia Civil solicitou prisão preventiva:

NomeIdentificação
Jardeilton Miranda de SousaInvestigado
Rafael dos Santos MatiasInvestigado
Wital Neto Borges de SousaInvestigado
Leonardo Moura de OliveiraInvestigado
Kláudia Michelle dos Santos MouraInvestigada
Jéssica dos Santos Brito BorgesContadora

O Tribunal de Justiça negou os seis pedidos de prisão preventiva. Cinco dessas pessoas ficaram sujeitas a medidas cautelares, enquanto a Justiça também rejeitou a imposição dessas medidas à contadora Jéssica dos Santos Brito Borges.

A investigação alcança ainda presidentes de câmaras municipais, procuradores jurídicos, secretários, contadores, advogados, empresários e servidores ligados a processos de contratação pública.

Como funcionaria o suposto esquema?

Segundo a Polícia Civil, as apurações começaram em 2024, a partir de suspeitas de irregularidades em contratações públicas nos municípios de Darcinópolis e Nova Olinda.

Os investigadores suspeitam que serviços contábeis contratados sem licitação teriam facilitado o acesso de integrantes do grupo às administrações municipais. A partir daí, outras empresas poderiam ter sido favorecidas em procedimentos de contratação pública.

Entre os elementos analisados está uma planilha que, segundo a investigação, registraria possíveis repasses financeiros a agentes públicos sob a expressão “voltas”.

A polícia também examina movimentações bancárias, transferências e possíveis operações destinadas a ocultar a origem ou o destino de recursos financeiros.

Justiça nega afastamento de 37 agentes públicos

Apesar da gravidade das suspeitas, o Tribunal de Justiça do Tocantins rejeitou o pedido de afastamento cautelar de 37 agentes públicos e políticos.

O entendimento judicial foi de que não havia demonstração individualizada suficiente de risco atual de interferência nas investigações ou de utilização dos cargos para a prática de novos crimes.

Por outro lado, a Justiça determinou a suspensão de contratos administrativos envolvendo 14 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à investigação, além de impedir novas contratações com órgãos públicos do Tocantins.

Quais cidades foram alcançadas pela operação?

Os mandados foram cumpridos em Araguaína, Palmas, Ananás, Arapoema, Darcinópolis, Pau D’Arco, Pedro Afonso, Nova Olinda, Palmeirante, Colinas do Tocantins e Figueirópolis.

A presença de uma cidade na relação de locais onde ocorreram buscas não significa que todos os seus gestores estejam sob investigação.

O que dizem as defesas?

Em nota divulgada pela Prefeitura de Ananás, o prefeito Robson Pereira da Silva afirmou que está colaborando com a Justiça e a Polícia Civil para o esclarecimento dos fatos.

A administração informou que suspendeu os contratos citados e instaurou uma auditoria interna.

Até a conclusão desta matéria, não foram identificados, nas fontes consultadas, posicionamentos individualizados de todos os demais citados. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos.

Investigação continua

A Operação ÔM3GA ainda está em andamento, e as suspeitas levantadas dependem de apuração e eventual julgamento.

O fato de uma pessoa ter sido mencionada em uma investigação ou ser alvo de medida judicial não significa que sua responsabilidade criminal esteja comprovada.

O Direto e Reto continuará acompanhando os desdobramentos da operação, a identificação de outros investigados e eventuais decisões judiciais.

Fontes e referências

1. Polícia Civil do Estado do Tocantins (PCTO) Informações institucionais sobre a Operação ÔM3GA, deflagrada em 14 de outubro de 2026, incluindo mandados, municípios alcançados e crimes investigados. Site oficial: https://www.to.gov.br/ssp

2. Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO) Referência processual: 0015444-89.2026.8.27.2700. Decisões judiciais relacionadas às medidas cautelares solicitadas durante a investigação. Site oficial: https://www.tjto.jus.br

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