O menino desapareceu durante uma pescaria com o pai e na ocasião foi acompanhado por quatro cães. A medida em que os animais retornavam para a aldeia a tristeza e preocupação da família aumentava, diz o cacique Rodrigo Karajá.
O primeiro retornou no mesmo dia do sumiço. Os outros dois apareceram no dia seguinte, um voltou na madrugada de segunda-feira e o outro foi encontrado pelos indígenas. Por mais que a criança estivesse vagando sozinha na mata, até então ainda havia a proteção do último cachorro. O retorno solitário fez o povo Karajá perder a esperança.
“O último cachorro que estava com ele apareceu hoje [quarta-feira] de manhã cedo. É muito preocupante… Muita preocupação, muita tristeza. Nós estamos perdendo a esperança de encontrar [o menino], mas com fé em Deus vai dar tudo certo”, diz o cacique.
Família pede reforço
Os indígenas organizam buscas desde o dia do desaparecimento. Segundo Urania Karajá, tio do menino, na terça-feira (23) o grupo esteve na mata durante a noite inteira e mais uma vez encontraram evidências da criança.
“A gente quer reforço o mais rápido possível. A gente quer encontrar a criança que desapareceu. A aldeia está muito triste, e a gente quer apoio de todo mundo, [dos] políticos, governador… isso que a gente quer”, afirma Urania Karajá.

Bombeiros usam drone nas buscas por criança indígena desaparecida
As equipes de buscas pelo menino indígena de 11 anos desaparecido na Aldeia Macaúba receberam reforços nesta quarta-feira (24). O Corpo de Bombeiros pediu apoio ao estado de Mato Grosso para ampliar a varredura pela criança na região norte da Ilha do Bananal, que já dura quatro dias sem resultados.
A Polícia Militar do Tocantins também integra o grupo. Militares dos dois estados e cães farejadores chegaram à aldeia nesta quarta-feira para integrarem as equipes de buscas.
O local em que o menino desapareceu fica próximo a cidade de Santa Teresinha, Mato Grosso. A região é de mata fechada e circundada por rios, o que dificulta o rastreio. Por isso, também foi solicitado o reforço do Grupo de Operações Aéreas da Polícia Militar (Graer) do Tocantins. A equipe, que utiliza drones termais capazes de identificar calor humano, se juntou às buscas nesta manhã.
Na tarde de domingo os bombeiros receberam a informação de que a criança foi avistada por um vaqueiro a cerca de 15 km da aldeia em que desapareceu. No entanto, o homem não sabia sobre o desaparecimento e como é comum ter crianças andando sozinhas naquela área ele não tentou abordar o menino.
Bombeiros procuram criança que desapareceu na Ilha do Bananal — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
Embora seja um alívio que o menino tenha sido avistado e pistas dele continuem surgindo, a demora do resgate tem causado preocupação nos bombeiros. O tenente coronel Nilton Rodrigues disse que a apreensão da corporação se deve ao fato de que crianças ficam desidratadas com muita facilidade, o que representa um grave risco à saúde.
Bombeiros e indígenas continuam buscas por criança na Ilha do Bananal — Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros
Além disso, os indígenas locais e a Fundação Nacional do Índio (Funai) temem que ele seja atacado por algum animal silvestre. É de conhecimento deles que os afluentes da região são habitados por jacarés e as matas por onças.
A responsável técnica da Funai na região, Ariele Karajá, está acompanhando as buscas ativamente, e chegou a entrar na mata com os bombeiros.
O rastreio na área já está sendo feito por terra e água. Grupos de indígenas percorreram de canoa os rios que circundam a mata.





