Espanha quer imposto da UE sobre petróleo e gás financiando ação climática

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Espanha quer imposto da UE sobre petróleo e gás financiando ação climática

A Espanha está pedindo à União Europeia que crie um fundo permanente de adaptação climática, financiado em parte por impostos sobre os lucros das petrolíferas e também sobre jatos particulares, informam El País e Financial Times. A proposta foi enviada na 5ª feira (3/9) ao comissário europeu para o clima, Wopke Hoekstra, enquanto a Comissão Europeia prepara um quadro integrado de resiliência climática que deverá ser apresentado até meados de dezembro.

Madri propõe que o bloco estabeleça metas vinculativas de adaptação, visto que os custos aumentam devido à aceleração das mudanças climáticas, que, neste verão, provocaram calor recorde e incêndios florestais em toda a UE. A Espanha calcula que os países do bloco acumulam perdas de US$ 955 bilhões (R$ 4,9 trilhões) devido a eventos climáticos extremos desde 1980, sendo cerca de 25% delas apenas entre 2021 e 2024, o dado mais recente disponível, destaca a Reuters.

“Nossa proposta apresenta uma abordagem abrangente para antecipar e avaliar os riscos climáticos, integrando a resiliência ao planejamento e às decisões de investimento, fortalecendo nossa resposta coletiva a emergências e criando as condições financeiras necessárias para impulsionar a adaptação em toda a Europa”, diz a carta enviada a Hoekstra pela ministra da Transição Ecológica da Espanha, Sara Aagesen.

O governo espanhol propôs aumentar a arrecadação de novas receitas por meio de “mecanismos inovadores”, incluindo um possível imposto sobre voos de luxo e um imposto permanente da UE sobre os lucros do setor de petróleo e gás. Além disso, sugeriu a emissão de dívida comum europeia para ajudar a suprir o déficit de financiamento das medidas de adaptação climática.

Além de apoiar medidas de adaptação dos países do bloco, o fundo proposto pela Espanha bancaria estruturas comuns. Isso inclui, por exemplo, uma frota dedicada a combater incêndios florestais, que neste verão do Hemisfério Norte castigaram diversas áreas no país e também na França e na Grécia.

As consequências da inação climática no continente têm sido devastadoras, destaca a Euronews. O número de mortes em excesso relacionadas às ondas de calor na Europa neste ano chegou a 30 mil, segundo dados nacionais de saúde europeus e a plataforma de monitoramento de mortalidade EuroMOMO. Mais de 600 mil hectares foram queimados em toda a UE este ano, de acordo com a Comissão Europeia – mais do que o dobro da média de longo prazo das últimas duas décadas. A seca no rio Danúbio levou ao fechamento de usinas nucleares na Hungria e na Romênia, enquanto os baixos níveis de água no Reno interromperam o comércio.

Euractiv e Agência Anadolu também repercutiram a proposta espanhola.