Cenários e Custos da Transição Ecológica no Brasil

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Cenários e Custos da Transição Ecológica no Brasil

A crise climática deixou de ser uma ameaça distante para se tornar uma realidade que já afeta economias, ecossistemas e a vida das pessoas. Ao mesmo tempo, o cenário internacional passa por uma profunda reorganização dos sistemas produtivos, marcada por crescentes instabilidades geopolíticas e pelo avanço da descarbonização. 

Nesse contexto, o Brasil pode ter futuros completamente distintos se optar por seguir pelo caminho em que estamos agora, com uma transição energética parcial e focada apenas nas emissões, ou se reconhecer as interdependências dos sistemas energético e agroalimentar e optar por uma transição ecológica.

O estudo Cenários e custos da transição ecológica no Brasil – As interdependências entre a transição energética e a transição agroalimentar e os riscos de um neoextrativismo verde, publicado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e o Climainfo, analisa a urgência, os custos e a interdependência entre transição energética e transição no sistema agroalimentar no Brasil. 

O documento mostra que a transição ecológica representa uma oportunidade estratégica para produzir respostas à crise climática, mas também para reposicionar a economia brasileira em um cenário internacional marcado pela descarbonização, pela reorganização das cadeias produtivas e pela crescente valorização de ativos ambientais. 

Leia o estudo completo: LINK

No Brasil, essa transição precisa ser pensada de forma sistêmica. Os sistemas energético e agroalimentar compartilham recursos, cadeias produtivas e dinâmicas territoriais. A expansão da bioenergia, a produção de alimentos, o uso da terra, a conservação da biodiversidade e a exploração de minerais críticos fazem parte de um sistema interligado, no qual as decisões tomadas produzem efeitos simultâneos sobre o crescimento econômico, a segurança energética, a segurança alimentar e nutricional, a competitividade e a sustentabilidade.

Essa interdependência também significa que os custos de não agir tendem a crescer. A manutenção do modelo atual pode ampliar as perdas decorrentes do agravamento de eventos climáticos extremos, da degradação ambiental e da redução da produtividade agrícola, além de aumentar os custos de produção, os conflitos pelo uso da terra e da água, a vulnerabilidade a barreiras comerciais, a insegurança energética e a exposição da economia brasileira a riscos geopolíticos. Em outras palavras, adiar a transição significa acumular custos ecológicos, biofísicos, econômicos, sociais e fiscais cada vez maiores.

*Infográfico custos 

Mais do que uma questão tecnológica, portanto, a transição ecológica envolve escolhas econômicas, políticas e territoriais. O desafio não é apenas desenvolver novas tecnologias ou substituir determinadas fontes de energia. É decidir quais atividades queremos incentivar, onde queremos investir, quais territórios queremos proteger e quais caminhos de desenvolvimento queremos construir para as próximas décadas.

Os benefícios dessa transformação, entretanto, não serão automáticos. Eles dependerão das escolhas institucionais e políticas que serão feitas nas próximas décadas e da incorporação explícita de critérios de justiça. O desafio não é apenas reduzir emissões e desenvolver novas tecnologias, mas construir um novo padrão de desenvolvimento capaz de combinar competitividade econômica, conservação ambiental e inclusão social. Uma transição ecológica justa precisa gerar oportunidades econômicas, proteger direitos e reduzir as pressões sobre a natureza.

Isso significa enfrentar contradições que já estão diante de nós. Ao mesmo tempo em que o Brasil se apresenta como uma potência ambiental e climática, seguimos discutindo a expansão da exploração de petróleo e gás e convivendo com o desmatamento e a pressão sobre territórios indígenas e comunidades tradicionais. É justamente nesse ponto que a transição ecológica deixa de ser apenas um debate sobre tecnologias e passa a ser um debate sobre escolhas e prioridades.

*Infográfico cenários

O Brasil tem condições de fazer essa transição. O que está em disputa é a capacidade política de transformar essas condições em um novo caminho de desenvolvimento.

É a partir desse desafio que este estudo propõe pensar a transição ecológica como uma transformação mais ampla do modelo de desenvolvimento brasileiro — capaz de articular energia, agricultura, uso da terra, proteção ambiental e justiça social.

O Brasil não precisa esperar o futuro para começar. Muitas das soluções já existem. O que falta é transformar experiências, conhecimento e possibilidades em escolhas políticas capazes de mudar a direção do desenvolvimento.

O estudo parte justamente desse desafio: pensar a transição ecológica como uma transformação mais ampla do modelo de desenvolvimento brasileiro — uma transformação capaz de articular energia, agricultura, uso da terra, proteção ambiental e justiça social.

Leia o sumário executivo: LINK