Após anunciar que descobriu indícios de petróleo em Morpho, poço que está perfurando no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, a Petrobras reforçou o pedido feito ao IBAMA para estender a autorização dada à perfuração pioneira a outros três novos poços. Mas, dessa solicitação, questionada pelo Ministério Público Federal (MPF), o que era temido por especialistas e ambientalistas parece estar acontecendo: a licença para Morpho “abriu a porteira exploratória” para outras empresas na região.
A petrolífera chinesa CNOOC pediu ao IBAMA acesso integral a um processo administrativo relacionado ao Bloco 59. O pedido foi apresentado na 4ª feira (19/8) por Yehua Huang, diretor-geral da subsidiária da companhia no Brasil. No requerimento ao IBAMA, ao qual a CNN Brasil teve acesso, a CNOOC solicita “vista do documento/processo” e marca a opção de cópia integral. Nas informações complementares, a empresa pede “acesso integral do processo 02001.035748/2025-13 no Sistema Eletrônico de Informações (SEI)”.
O documento não permite concluir que a CNOOC tenha decidido investir na Foz do Amazonas ou que negocie participação no Bloco 59. Mas, por ter sido feito logo após o anúncio da Petrobras, reforça a tese de que a licença de Morpho será usada por outras petrolíferas com blocos na região para pressionar o IBAMA em processos de licenciamento.
“O grande empenho da Petrobras em obter a licença para o Bloco 59 é que seria a primeira autorização do IBAMA naquela região. A partir disso, será muito mais difícil para o órgão ambiental negar licenças, por exemplo, para os blocos ao lado. Todo esse empenho foi feito para facilitar o licenciamento de outras áreas na sequência”, reforçou a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, em live da comunidade “Papo de Clima” do ClimaInfo.
A CNOOC já é hoje uma das maiores produtoras de petróleo do Brasil. Segundo o último Boletim Mensal da Produção de Petróleo e Gás, da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), relativo a junho, a chinesa teve uma produção média de 124 mil barris por dia (bpd) no mês, ficando atrás apenas de Petrobras, Shell e TotalEnergies.
Vale lembrar que uma conterrânea da CNOOC e sua parceira estratégica, a CNPC – ambas controladas pelo governo da China – foi uma das petrolíferas estrangeiras que arremataram blocos exploratórios na Foz do Amazonas no “Leilão do Fim do Mundo” promovido pela ANP em junho de 2025. Em consórcio com a estadunidense Chevron, a CNPC adquiriu nove áreas na região. Os outros 10 blocos vendidos no certame foram comprados pela Petrobras, em parceria com a também estadunidense ExxonMobil.





