El Niño caminha para ser o mais forte desde o século 19, projeta Met Office

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El Niño caminha para ser o mais forte desde o século 19, projeta Met Office

A agência britânica de meteorologia Met Office alertou que o El Niño de 2026/2027 pode ser o mais forte em quase 150 anos. Segundo suas projeções, o aumento médio da temperatura da superfície do oceano Pacífico equatorial, que costuma ser de 1oC a 2oC em um El Niño típico, pode superar 3oC. Isso tornará o evento atual o mais forte desde o século 19, com implicações preocupantes para o clima global nos próximos meses.

“Devemos deixar claro que este é um evento sem precedentes. Nunca vi um sinal de El Niño tão intenso em nossas previsões”, comentou Adam Scaife, chefe de precisão de longo prazo do Met Office. “Se a previsão estiver correta – e outros sistemas de previsão mostrarem valores extremos semelhantes – então 2026 superará em muito nossa experiência recente com o El Niño e suas influências climáticas globais.”

Os impactos do El Niño serão globais, mas Scaife alertou que eles serão particularmente fortes nos trópicos, com expectativa de secas severas nas Américas Central e do Sul e no Pacífico Ocidental. O risco de estiagem também é elevado no sul da África e no nordeste da Austrália. No subcontinente indiano, a temporada atual de monções já indica chuvas abaixo da média histórica, compatíveis com o fenômeno.

Já em locais como sul do Brasil, Chifre da África, Europa Ocidental e leste da China, as chuvas devem ser mais intensas do que o normal. Ao mesmo tempo, as tempestades tropicais devem ter comportamentos diversos no Pacífico e no Atlântico: enquanto os ciclones devem ser mais numerosos e potentes nesta temporada, os furacões devem ser mais esporádicos, ainda que com risco de tempestades pontuais mais fortes.

“O Super El Niño que está se desenvolvendo no Pacífico provavelmente será o maior já registrado, atingindo ou superando os níveis do El Niño de 1877-78, que causou impactos generalizados, incluindo fome e cerca de 50 milhões de mortes – entre 3% e 4% da população mundial – principalmente na Ásia e na América do Sul”, assinalou Hayley Fowler, professora da Universidade de Newcastle (Reino Unido), ao Guardian.

O Brasil, por exemplo, viveu entre 1877 e 1879 uma grave estiagem, que ficou conhecida como “A Grande Seca”. Foi uma das piores secas da história do país, atingindo principalmente o Ceará. Estima-se que tenha matado entre 400 mil e 500 mil pessoas, por fome, sede e epidemias, como a varíola, além de provocar êxodo em massa de habitantes do Nordeste para outras regiões.

As projeções do Met Office também indicam uma grande possibilidade de 2026 e 2027 desbancarem o topo do ranking dos anos mais quentes já registrados. “Durante grandes eventos de El Niño, uma quantidade significativamente maior de calor é liberada do oceano para a atmosfera, levando a um aumento na temperatura média global, particularmente no ano civil seguinte ao pico de inverno do El Niño. Portanto, é muito provável que 2027 substitua 2024 como o ano mais quente da história e seja mais um ano a ultrapassar temporariamente o limite de 1,5oC acima do período pré-industrial.

AFP, Al Jazeera, BBC Brasil, Independent, Reuters e Veja, entre outros, também repercutiram as projeções do Met Office para o El Niño.