Mudanças climáticas dobraram chance de incêndios florestais devastadores no Canadá

0
22
mudancas-climaticas-dobraram-chance-de-incendios-florestais-devastadores-no-canada
Mudanças climáticas dobraram chance de incêndios florestais devastadores no Canadá

Os incêndios florestais que há mais de um mês assolam o Canadá neste verão tornaram-se duas vezes mais prováveis devido às mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. A conclusão é de um estudo de atribuição divulgado na 5ª feira (6/8) pela rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA).

Segundo a análise, a elevação da temperatura média global de 1,4°C em relação aos níveis pré-industriais intensificou as condições quentes e secas em boa parte da América do Norte durante a temporada de incêndios, facilitando a ocorrência e a disseminação de chamas. Neste ano, as áreas mais afetadas pelo fogo estão localizadas na província de Ontário e nos Territórios do Noroeste.

No cenário atual, condições propícias ao fogo como as desta temporada podem ocorrer uma vez a cada dois a seis anos nos Territórios do Noroeste e a cada seis a 15 anos em Ontário, segundo o estudo. Em um cenário sem aquecimento, a probabilidade de incêndios como os de agora no noroeste canadense seria de uma vez a cada 40 anos.

Atualmente, em todo o Canadá, há quase 700 incêndios ativos, abrangendo mais de 3,8 milhões de hectares, quase o tamanho do estado do Rio de Janeiro, principalmente em suas extensas florestas boreais. Neste ano, mais de 4 mil incêndios foram registrados, e a temporada de fogo deve permanecer ativa até meados de outubro, o que eleva o temor quanto ao impacto do fogo neste verão no país.

O Guardian lembra que o Canadá vem sofrendo com uma sequência de temporadas de fogo destrutivas pelo menos desde 2023. Para os pesquisadores responsáveis pelo estudo, a crise climática aumentou a escala e a intensidade do problema de forma “fundamentalmente diferente” em relação ao que se observava no passado.

“A abrangência geográfica desses incêndios é assustadora e demonstra que, apesar do preparo da governança de incêndios florestais, a adaptação, por si só, não será suficiente”, alertou Theodore Keeping, especialista em clima extremo do Imperial College London e coautor do estudo. “Precisamos abandonar rapidamente os combustíveis fósseis para evitar que eventos como esse se tornem ainda mais frequentes.”

A situação do Canadá não é isolada. A Bloomberg destaca que o verão atual no Hemisfério Norte está sendo marcado por incêndios florestais intensos em várias áreas, especialmente no oeste da América do Norte, na Europa Ocidental e do Sul, e na Sibéria russa. Outras regiões do globo também sofrem com o fogo, como a bacia do Congo, na África, e a ilha de Bornéu, na Indonésia.

O Observatório do Clima destaca que as emissões provenientes de incêndios florestais estão muito acima do normal em pelo menos 13 regiões do planeta, segundo dados do sistema de monitoramento Copernicus, da União Europeia. Nos EUA, os incêndios estão emitindo, em média, 878 mil toneladas de carbono por dia, um volume 180% superior à média do período. No Canadá, as emissões associadas ao fogo chegaram a 2,48 milhões de toneladas de carbono, o que representa um aumento de 134%. E na Europa, esse aumento é ainda mais notável: em julho, as emissões ficaram 787% acima da média, quase 9 vezes o esperado para o período.

AP, CBC, Folha, g1 e The Hill também repercutiram o estudo de atribuição da WWA sobre os incêndios no Canadá.