A Espanha e a França estão se desdobrando para enfrentar os incêndios florestais que assolam seus territórios há mais de uma semana. A queda da temperatura nos últimos dias desacelerou o avanço das chamas, que já forçaram a retirada de mais de 330 mil pessoas em ambos os países. Mas os bombeiros correm contra o relógio para apagar o fogo, já que o alívio deve acabar nos próximos dias, com a chegada de mais uma onda de calor à Europa Ocidental.
Segundo o ministro espanhol do interior, Fernando Grande-Marlaska, 2ª e 3ª feira (27 e 28/7) seriam “dias absolutamente cruciais” para extinguir os focos de incêndio que consumiram mais de 70 mil hectares nos arredores de Madri. O maior temor é a chegada de uma nova onda de calor, que pode elevar os termômetros a patamares próximos de 40°C, facilitar a propagação do fogo e dificultar o combate aos incêndios ainda ativos.
Do outro lado da fronteira, os bombeiros franceses seguem lutando contra o incêndio que já queimou 42 mil hectares no departamento de Gironde, no sudoeste do país. Depois de retirar mais de 220 mil pessoas, entre moradores e turistas, na cidade de Bordeaux, as autoridades tentam impedir que o fogo avance para outras áreas, ampliando o que já é uma das maiores devastações do território do país desde a Segunda Guerra Mundial.
Os incêndios atuais podem ser apenas o começo de uma temporada de fogo particularmente devastadora na Europa. Um funcionário da Comissão Europeia ouvido pelo Guardian afirmou que a temporada atual de incêndios pode persistir até o início de novembro, em pleno outono. Além de Espanha e França, as autoridades europeias também acompanham com atenção a situação na Grécia, país que vem sofrendo com incêndios florestais devastadores nos últimos anos, e na Itália.
“Os incêndios que estão atingindo nosso país chegaram a um nível nunca antes visto”, disse o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, citado pelo Financial Times. Já o premiê da Espanha, Pedro Sanchéz, foi contundente ao descrever o impacto da crise climática nos episódios de calor intenso e incêndios florestais deste verão. “Precisamos estar mais vigilantes e melhor preparados a cada ano para uma emergência climática que, infelizmente, está ultrapassando todos os níveis sobre os quais os cientistas vêm nos alertando sistematicamente há muitos anos”, afirmou, também segundo o Financial Times.
A situação dos incêndios na Europa Ocidental segue sendo acompanhada pela imprensa, com matérias em AFP, Associated Press, BBC, Bloomberg, DW, Euronews, Independent, NBC News, NY Times e Reuters, além de Folha, g1 e Valor.





