Petróleo supera US$ 100 com ataques a navios sauditas no Mar Vermelho

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Petróleo supera US$ 100 com ataques a navios sauditas no Mar Vermelho

Os contratos futuros do petróleo fecharam em forte alta na 5ª feira (23/7), diante de uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. A disparada dos preços foi impulsionada por preocupações com a oferta global do combustível fóssil, depois que os Houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, disseram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

Referência do mercado internacional, o Brent com vencimento em setembro fechou a sessão cotado a US$ 100,69 por barril – o maior preço desde 22 de maio, destaca a Reuters -, com alta de 7,04% sobre o preço do dia anterior. O WTI, a referência dos Estados Unidos, com entrega prevista para o mesmo mês, avançou 6,17%, a US$ 92,19 por barril, detalha o Valor.

O Brent chegou a bater US$ 101,01 o barril, em meio a temores de que os EUA e o Irã estejam caminhando para um retorno a um conflito generalizado, segundo o Financial Times. A valorização acelerou depois que os Houthis afirmaram ter atacado navios sauditas, em decorrência do bloqueio marítimo ao país no Estreito de Bab el-Mandeb.

A ofensiva no Iêmen ampliou o temor de interrupções em rotas importantes para o transporte de petróleo, já que o Estreito de Ormuz continua fechado devido à troca de ataques contínua entre EUA e Irã. A agência estatal saudita SPA confirmou que uma das embarcações pegou fogo no Mar Vermelho, mas não informou quem havia atingido o navio.

“Este é o furacão perfeito para o mercado”, disse Arne Rasmussen, analista-chefe da Global Risk Management. “Há uma escalada na retórica de ambos os lados (na guerra) e agora os ataques no Mar Vermelho. O mercado provavelmente foi pego de surpresa. Tudo está indo na direção errada”, completou.

Os preços do Brent estão agora quase 40% mais altos do que quando a guerra no Oriente Médio começou, em 28 de fevereiro. E quase todo este aumento ocorreu neste mês, com a nova rodada de ataques entre EUA e Irã.

E há quem preveja que a disparada dos preços não parará. “Com a possibilidade de uma guerra terrestre aumentando a cada dia e o tráfego de petroleiros restrito em dois dos pontos de estrangulamento mais ativos do mundo, o petróleo bruto está repentinamente se posicionando a um passo da máxima de quatro anos, de US$ 126,41, com a economia global se contraindo tão rapidamente que eventualmente ficará praticamente sem recursos”, disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho.

No início desta semana, uma análise do banco Goldman Sachs indicou que o barril do Brent poderia chegar a US$ 120 no 4º trimestre se o fluxo de combustíveis fósseis pelo Estreito de Ormuz continuasse restrito. Com a ofensiva dos Houthis no Mar Vermelho, não será surpresa se esse valor for atingido antes de outubro.

Mais uma demonstração de que o petróleo provoca crise climática, poluição ambiental e passivos sociais. Nunca segurança energética.