A porção ocidental do continente europeu viveu o junho mais quente da história recente, segundo dados divulgados na 5ª feira (9/7) pelo serviço de monitoramento climático do observatório Copernicus, da União Europeia. A temperatura média atmosférica da região foi de 20,74oC, 3,06oC acima da média para o mês entre os anos de 1991 e 2020.
Na Europa como um todo, junho de 2026 foi o segundo mais quente já registrado. A temperatura média de superfície foi de 19,14oC, 1,78oC acima da média para o mês no período 1991-2020, e atrás apenas de junho de 2019 (19,23oC).
O calor intenso experimentado em junho foi intensificado por uma forte onda de calor que assolou a maior parte da Europa Ocidental na 2ª quinzena do mês. Segundo um estudo da World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos, um fenômeno tão intenso seria impossível de acontecer sem as mudanças climáticas.
Países como Espanha, França, Alemanha e Reino Unido registraram recordes históricos de calor. E, mais uma vez, constataram a falta de preparo de suas infraestruturas críticas, como transporte e energia, para temperaturas cada vez mais altas do verão europeu.
Segundo o Copernicus, a anomalia de temperatura relativamente grande em junho de 2026 é consistente com a forte tendência de aquecimento observada no mês desde a década de 1980. As anomalias de temperatura tornaram-se mais frequentes a partir de 2019: oito dos nove meses de junho mais quentes já registrados na Europa ocorreram nos últimos oito anos.
Em todo o mundo, junho de 2026 também ficou com o 2º lugar no ranking dos junhos mais quentes já registrados. A temperatura média atmosférica global foi de 16,54oC – 0,56oC acima da média de junho no período 1991-2020 e 1,39oC acima da média pré-industrial estimada para o mês entre 1850 e 1900.
Nos oceanos, o mês passado também foi marcado por recordes de calor. Segundo o Copernicus, a temperatura média da superfície do mar foi a mais alta já registrada para junho, atingindo 20,86oC. Os dados indicam que as elevadas temperaturas na superfície do mar foram impulsionadas, em parte, por condições muito mais quentes do que a média na maior parte do Pacífico tropical. É esse calor que abastece o El Niño, que agora tem 81% de chance de ser muito forte, segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) (leia aqui).
“Em conjunto, esses registros refletem um sistema climático que continua a acumular calor”, disse Samantha Burgess, cientista do Copernicus, ao Guardian. “O resultado são ondas de calor cada vez mais intensas, um oceano persistentemente quente e riscos crescentes para as pessoas, os ecossistemas e a infraestrutura”.
Os dados do Copernicus também foram repercutidos por AFP, Al-Jazeera, Financial Times, Folha, g1, New York Times, Reuters e RFI.





