Dados divulgados pelo Serviço de Monitoramento Atmosférico do observatório Copernicus, da União Europeia, indicaram que as emissões globais de gases de efeito estufa decorrentes de incêndios florestais no 1º semestre atingiram o menor índice desde o começo da série histórica, em 2003. Segundo a análise, essas emissões somaram menos de 400 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e).
As informações foram compiladas pelo Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS, sigla em Inglês), baseado em observações de incêndios ativos feitas por satélite. Segundo o Copernicus, a queda nas emissões globais foi impulsionada pela redução nos níveis de incêndios sazonais na África tropical.
África e Ásia são os continentes que mais contribuíram para a redução das emissões de carbono de incêndios florestais entre janeiro e junho, com respectivamente 154 MtCO2e 113 MtCO2e. Em igual período do ano passado, as emissões por incêndios florestais somaram 213 MtCO2e na África e 164 MtCO2e na Ásia. A América do Sul também registrou queda, passando de 40,9 MtCO2e no 1o semestre de 2025 para 38,8 MtCO2e nos seis primeiros meses de 2026.
A atividade do fogo mais intensa do semestre passado aconteceu no estado australiano de Victoria logo no início do ano. Também foram registrados incêndios na Patagônia sul-americana, nas regiões de Biobío (Chile) e Chubut (Argentina). Estas chamas se tornaram três vezes mais prováveis devido às mudanças climáticas, mostra um estudo da rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA).
Apesar dos dados positivos, o panorama para o restante do ano é preocupante. Na América do Norte, as ondas de calor que cobriram boa parte do continente já causaram um aumento nas emissões por incêndio florestal na 2ª quinzena de junho. Segundo o Copernicus, os maiores incêndios no subcontinente até agora foram observados no Canadá, na província de Manitoba e nos territórios do Noroeste.
Outras áreas do Hemisfério Norte também começaram a registrar focos nas últimas semanas. No extremo leste da Rússia, desde maio foram observadas colunas de fumaça, que avançaram para a Sibéria em junho. Os satélites ainda captaram focos de fogo na Groenlândia, no Reino Unido e nos Países Baixos. E as chamas avançaram no sul da Europa após a última onda de calor.
Outro temor é a chance de um “Super El Niño” nos próximos meses, que pode intensificar a seca em regiões florestais ao redor do mundo. “As condições previstas para o El Niño têm o potencial de aumentar as emissões globais decorrentes de incêndios, como observamos durante os anos anteriores do fenômeno climático, em 2015 e 2019”, destacou Mark Parrington, cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico do Copernicus, citado pela Agência Brasil.
ICL Notícias, Jornal da Globo, Jornal de Brasília, Poder360 e Um Só Planeta repercutiram a notícia.





