Onda de calor e tempestades matam pelo menos 25 pessoas nos EUA

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Onda de calor e tempestades matam pelo menos 25 pessoas nos EUA

O calor segue inclemente em boa parte da América do Norte. No último final de semana, pelo menos 25 pessoas morreram em decorrência das altas temperaturas e de fortes tempestades. O calor intenso prejudicou as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, no sábado (4/7), além de afetar partidas da Copa do Mundo de futebol.

Segundo o Guardian, mais de 20 estados dos EUA registraram temperaturas acima de 38oC na celebração do 4 de Julho. Em Nova Jersey, na costa leste, autoridades acreditam que o calor extremo foi responsável pela morte de 22 pessoas. Muitas das vítimas foram encontradas em residências sem ar-condicionado, em áreas externas e até mesmo em carros sem refrigeração. A idade das vítimas varia dos 30 aos 80 anos. Outras mortes foram registradas em Illinois e Mississippi.

Já em Wisconsin, no norte estadunidense, três crianças morreram depois de um barco ter virado durante uma forte tempestade no lago Genebra, ao sul do estado. Como informado pela AP, a tempestade derrubou árvores, rompeu linhas de transmissão de eletricidade e afetou o transporte rodoviário e aéreo em vários estados vizinhos.

Quase 1 milhão de pessoas passaram o dia da independência dos EUA sem energia elétrica. Segundo o Financial Times, o clima extremo dos últimos dias fez o preço da eletricidade disparar no mercado estadunidense, com alta de mais de 240% no nordeste do país.

Até mesmo Donald Trump teve suas celebrações de 4 de Julho afetadas pelo clima extremo na capital, Washington. O discurso do presidente dos EUA teve que ser adiado por algumas horas por conta do risco de forte tempestade. Outros eventos programados, como o desfile militar, foram cancelados devido ao calor extremo. Os serviços de emergência de Washington atenderam mais de 50 pessoas com problemas relacionados ao calor apenas no sábado, segundo a AFP.

Todo esse calor seria virtualmente impossível sem as mudanças climáticas, destaca o New York Times a partir de um estudo de atribuição divulgado no final de semana pela rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA). Segundo a análise, episódios como a onda atual de calor na América do Norte ainda são extraordinários, com uma probabilidade de ocorrência de apenas 0,5%. Mas seriam praticamente impossíveis sob o clima pré-Revolução Industrial, antes, portanto, das emissões de gases de efeito estufa decorrentes da queima de combustíveis fósseis afetarem o clima global.

“No aniversário de 250 anos dos EUA, nosso estudo oferece uma clara constatação da realidade. O clima que o país tem hoje é fundamentalmente diferente daquele que existia quando os pais fundadores assinaram a Declaração de Independência”, afirmou Theodore Keeping, cientista climático do Imperial College London e colaborador da WWA.