Pouco depois do fim da COP30, o presidente Lula incumbiu quatro ministérios – Meio Ambiente, Minas e Energia, Fazenda e Casa Civil – a elaborarem as diretrizes para a construção do mapa do caminho brasileiro para além dos combustíveis fósseis. Essas diretrizes deveriam ter sido entregues no início de fevereiro. No entanto, lá se vão cinco meses sem qualquer indício de publicação do roadmap nacional.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, que substituiu Marina Silva no comando da pasta, admite n’O Globo que as diretrizes não saíram devido a “tensões” internas no governo federal. “Chegamos a 95% de entendimento para fechar essa fase. Ainda existe uma contradição, uma complexidade, que faz com que a discussão ainda esteja em curso.”
A contradição, segundo Capobianco, envolve transição e pobreza energética. Ele menciona regiões do país onde os combustíveis fósseis são a principal fonte de energia. “Como vamos fazer essa transição considerando que temos que combater essa pobreza energética? É uma tensão entre os ministérios. Como vou abrir mão de uma fonte de energia ou acelerar a redução do uso se ainda tenho que resolver demandas que estão colocadas hoje? Surgem discussões”, conta.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) defende a necessidade de definição da trajetória e metas no mapa do caminho. Mas, de acordo com Capobianco, há áreas do governo que temem assumir objetivos e não conseguir cumpri-los, o que causaria a perda da credibilidade do plano, na avaliação desses setores.
É curioso que os setores do governo preocupados com a “perda de credibilidade” do mapa do caminho não se preocupem com não conseguir sequer traçar diretrizes para iniciar a construção desse mapa. Estamos falando de passos iniciais, indicações, para que esta roda comece a girar. Ou seja, parece mais uma desculpa para evitar falar no fim dos combustíveis fósseis.
Afinal, não é segredo que há no governo quem defenda explorar petróleo no Brasil “até a última gota”. Caso do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o único remanescente entre os titulares das pastas incumbidas por Lula para essa tarefa. Além de Marina Silva, Fernando Haddad e Rui Costa deixaram seus cargos na Fazenda e na Casa Civil.





