Brasil mobiliza mais de 200 contribuições para zerar desmatamento global até 2030

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A presidência brasileira da COP30 apresentou ontem (11/5), na abertura do Fórum das Nações Unidas sobre Florestas (UNFF21) em Nova York, um primeiro balanço das contribuições recebidas para o roteiro (roadmap) internacional voltado a interromper e reverter o desmatamento global até 2030. O processo foi aberto pelo Brasil em fevereiro, após o chamado do presidente Lula em Belém no ano passado, e busca transformar compromissos já assumidos nas COPs climáticas em estratégias concretas de implementação.

Segundo o diplomata Marco Túlio Lustosa, foram feitas mais de 130 contribuições de países, individualmente ou em grupo, além de dezenas de propostas de organizações de pesquisadores e da sociedade civil, nacionais e internacionais – incluindo o Observatório do Clima. “Não estamos mais discutindo se devemos interromper o desmatamento. Estamos discutindo como chegar lá”, celebrou.

Representantes de órgãos da ONU como UNFCCC, FAO, PNUD entre outros, reforçaram apoio político ao processo brasileiro. A representante do secretariado climático das Nações Unidas, Wang Xuehong, destacou que “não será possível alcançar os objetivos do Acordo de Paris sem proteger e restaurar florestas”. A República Democrática do Congo e a Indonésia – que abrigam a segunda e a terceira maiores florestas tropicais do mundo – também defenderam a iniciativa, enfatizando a necessidade de combinar proteção florestal, desenvolvimento econômico e combate à pobreza.

As discussões indicam que o roadmap global deve avançar para além da agenda ambiental tradicional, incorporando debates sobre financiamento, agricultura, comércio, governança e desenvolvimento. Um dos pontos mais repetidos no evento foi a avaliação de que já existem ferramentas técnicas para reduzir o desmatamento, mas ainda falta coordenação política e financeira em escala global. Daniela Chiaretti, no Valor, Mayara Subtil, no IPAM, e Ilana Cardial, no Carbon Pulse, dão detalhes.