Os estoques globais de petróleo despencaram em um ritmo recorde em abril. Foram quase 200 milhões de barris – ou 6,6 milhões de barris por dia -, aponta a S&P Global Energy. Um resultado direto dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz como consequência do conflito.
Embora a demanda de petróleo esteja caindo, ela ainda está sendo “superada pela perda de oferta”, explica Jim Burkhard, chefe de pesquisa de petróleo bruto da S&P. “Preços ainda mais altos para o petróleo bruto ainda estão por vir”, avalia o especialista.
As reservas globais totais do combustível fóssil somam cerca de 4 bilhões de barris. São volumes detidos por países e empresas para uso em caso de problemas no fornecimento habitual, como o que vem ocorrendo agora, com o conflito no Oriente Médio. No entanto, uma grande parcela delas já está comprometida com operações diárias, como manter refinarias funcionando ininterruptamente, segundo o Valor.
Com isso, os estoques globais de petróleo se aproximam do menor nível em oito anos. De acordo com o banco Goldman Sachs, restam apenas 45 dias de oferta mundial de produtos refinados, relata a Revista Fórum.
Na 4ª feira (6/5), o ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, pediu uma interrupção “completa” das hostilidades no Oriente Médio e a reabertura de Ormuz “o mais rápido possível”, informa a Folha. Mais da metade das importações marítimas de petróleo bruto de Pequim procede da região e passa pelo estreito.
O aperto não se restringe aos chineses. Na Europa, os estoques de combustíveis de aviação caíram para o menor nível em seis anos em abril. Já nos Estados Unidos, os estoques de gasolina devem atingir o menor nível histórico no verão – principal época de viagens rodoviárias devido às férias.
Por aqui, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ontem que o Brasil é um dos países menos afetados pela alta do petróleo, com impacto nos preços na ordem de 20%. Ele também disse que não há riscos para abastecimento, aponta a CNN Brasil.
O Brasil integra o grupo de exportadores de petróleo que estão se beneficiando do cenário mundial, segundo o Estadão. O país tende a se beneficiar com a demanda de países asiáticos. A China já é o principal destino do petróleo exportado pelo Brasil.
No entanto, é importantíssimo lembrar que temos de importar cerca de um terço do óleo diesel e da gasolina que consumimos – derivados cujos preços também dispararam com a alta do petróleo. Logo, o ganho nas contas externas será limitado, e parte do choque do petróleo baterá no bolso da população.





