Os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã completaram dois meses ontem (28/4) sem uma solução à vista. No começo do dia, as incertezas quanto ao conflito e a reabertura total do Estreito de Ormuz pressionaram os preços do petróleo. A escalada foi contida pelo anúncio da saída dos Emirados Árabes Unidos (EAU) da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), mas não o suficiente para evitar uma nova grande alta. Enquanto isso, mais países apelam para subsídios, racionamento e biocombustíveis a fim de tentar minimizar os danos às contas públicas e ao abastecimento.
O Brent com vencimento em junho subiu 2,79%, cotado a US$ 111,26 por barril. Já o WTI com entrega para o mesmo mês teve alta de 3,69%, a US$ 99,93 por barril, informa o Valor. O Brent registrou seu maior nível de fechamento desde 31 de março, quando o contrato mais líquido terminou o dia em US$ 118,35, e o WTI teve sua alta mais expressiva desde o dia 7 de abril.
Os EUA analisam uma proposta de paz enviada pelo Irã, após o cancelamento de uma rodada de negociações entre os dois países no fim de semana, segundo o Valor. Citando autoridades estadunidenses, o Wall Street Journal informa que a Casa Branca provavelmente apresentará sua resposta e contrapropostas nos próximos dias. O principal ponto de discórdia é o programa nuclear iraniano.
Se o impasse alimentou a escalada do petróleo, o anúncio da saída dos Emirados Árabes da OPEP, que reúne alguns dos maiores produtores de combustíveis fósseis do planeta, aliviou os preços. Os EAU são o terceiro maior produtor do cartel e estão no grupo desde 1967 – a OPEP foi fundada em 1960.
A OPEP não é mais a “toda-poderosa” que liderou (e ganhou muito dinheiro com) os choques do petróleo dos anos 1970 e 1980. Ainda assim, responde por 40% da produção mundial de óleo cru. E seus integrantes abrigam cerca de 80% das reservas provadas do combustível fóssil, segundo a CNN Brasil.
Por isso, a saída dos Emirados Árabes da organização é apontada como um duro golpe em um grupo já enfraquecido, avalia o Wall Street Journal. Coloca ainda mais em xeque o poder da Arábia Saudita, a maior produtora da OPEP, de ditar os preços do mercado global. E pode significar um realinhamento energético mais amplo no Oriente Médio, segundo o Oil Price.
Mas, enquanto a crise do petróleo persiste, o número de países que estão cortando impostos sobre energia em resposta à guerra no Oriente Médio dobrou no último mês. Os governos europeus lideraram o forte aumento do apoio energético não direcionado, segundo análise do Financial Times com base no monitor de políticas da Agência Internacional de Energia (IEA), representando 19 das 39 economias que reduziram impostos sobre energia em resposta à disparada dos preços de petróleo e gás. Apenas três países europeus implementaram políticas para reduzir o consumo, em comparação com 19 na região Ásia-Pacífico, segundo o monitor da IEA.
Falando em Ásia, governos do continente já recorreram a todos os seus recursos políticos, aumentando subsídios para conter preços, restringindo o uso de combustíveis e ordenando que funcionários públicos trabalhem em casa. Autoridades buscam fontes alternativas de petróleo e gás, inclusive da Rússia. E isso tem pesado cada vez mais nos orçamentos, destaca a Bloomberg.
Para suportar os custos e a restrição de oferta de combustíveis fósseis, a Indonésia está acelerando o lançamento de uma mistura de diesel com 50% de biocombustíveis provenientes de suas vastas plantações de palmas, informa a Bloomberg. O cronograma levará a indústria de biocombustíveis do país ao limite de capacidade.





