Falta de financiamento ameaça próxima rodada de relatórios do IPCC

0
38
falta-de-financiamento-ameaca-proxima-rodada-de-relatorios-do-ipcc
Falta de financiamento ameaça próxima rodada de relatórios do IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), braço climático da ONU responsável por avaliar os riscos da crise do clima e as opções de resposta, está enfrentando um aperto orçamentário que ameaça a próxima rodada de relatórios, a AR7. O financiamento voluntário dos governos caiu em 2024 e 2025, e a organização pode ficar sem dinheiro até 2028.

Segundo o Inside Climate News, o IPCC tem orçamento operacional anual de cerca de US$ 9 milhões (R$ 46 milhões). Mas o valor de seu fundo fiduciário diminuiu cerca de 30% pela perda de financiamento dos Estados Unidos com a chegada de Donald Trump à presidência do país e pelo apoio desigual de outras nações. Para comparação, o InfoMoney destaca que os seis primeiros dias da guerra de EUA e Israel contra o Irã custou US$ 11,3 bilhões (R$ 58 bilhões).

Para lidar com a crise, o IPCC avalia cortar custos de reuniões, realizando-as de modo virtual. Também prevê cortes em treinamento de mídia, recrutamento, salários e atualizações de seu site, além da diminuição da edição, tradução e impressão dos relatórios. 

“No final, isso significa mais pressão sobre os autores, que já estão dedicando seu tempo voluntariamente e, muito provavelmente, menos inclusão de especialistas de países em desenvolvimento”, afirmou Richard Klein, cientista que participa do IPCC desde 1994, ao Climate Home.

Além da escassez de dinheiro, outro ponto de atenção levantado na 64ª sessão realizada em Bangkok (Tailândia) na semana passada foi o impasse do cronograma do AR7. Enquanto alguns países querem que os documentos sejam finalizados até 2028 para contribuir com o balanço global do progresso na redução das emissões de gases de efeito estufa, outros defendem que os trabalhos sejam divulgados apenas em 2029, contam Carbon Brief e Folha.

O próximo ciclo de relatórios do IPCC prevê cinco publicações: uma sobre o estado do clima global, uma sobre adaptação, uma sobre mitigação, além do relatório de síntese e uma análise especial sobre mudanças climáticas e cidades. Os países que defendem o cronograma de publicações até 2028 argumentam que adiar a divulgação pode prejudicar a elaboração do balanço do clima global, pois os dados disponíveis não estariam atualizados.

Apesar de não estar na agenda inicial, a questão dominou parte da reunião. Delegados não conseguiram chegar a um acordo nem mesmo sobre um plano para alcançar um consenso até a próxima reunião, que deve acontecer em outubro deste ano.