Aumenta a pressão sobre o preço e o abastecimento dos combustíveis no Brasil por causa da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Após reajustar o diesel, a Petrobras saiu em defesa de sua política de preços, ao mesmo tempo em que cancelou leilões de derivados. Já o governo federal tenta negociar com os estados a redução do ICMS e amplia a fiscalização para coibir aumentos abusivos, de olho na ameaça de uma greve anunciada por algumas associações de caminhoneiros.
A suspensão de dois leilões da Petrobras para entrega de diesel e gasolina em abril pegou os setores de distribuição e revenda de combustíveis de surpresa. Segundo a petrolífera, o cancelamento foi motivado pelo bloqueio de um navio com os derivados, que era esperado para essa finalidade. Os leilões chegaram a ser realizados, mas foram suspensos sem explicação, segundo o Estadão.
Após ser criticada por aumentar o diesel depois do governo anunciar medidas para conter a alta do combustível, a empresa disse que “tem como pilar fundamental não repassar automaticamente a volatilidade dos preços internacionais” ao mercado doméstico, informa o Seu Dinheiro. A Petrobras ressaltou ainda que, mesmo após o reajuste, o diesel A acumula queda de R$ 0,84 por litro desde dezembro de 2022 – uma redução de 30%, considerando a inflação do período.
Com os governadores se negando a reduzir o ICMS sobre o diesel, como sugeriu o presidente Lula, o governo federal chamou os estados para negociar. A União propôs que estados e o Distrito Federal zerem temporariamente o imposto sobre a importação de diesel para conter os preços. Em contrapartida, irá compensar 50% da perda de arrecadação. A proposta foi apresentada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, em reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ), informa a Agência Brasil.
A receita do conjunto dos estados com ICMS sobre combustíveis representa cerca de 20% do total do ICMS, mais de R$ 170 bilhões, considerando os dados de 2025. O diesel representa cerca de metade disso. Não é pouco dinheiro e dá para fazer muita coisa, frisa Fabio Graner n’O Globo.
Irritado com aumentos abusivos do diesel e preocupado com reflexos na inflação em ano eleitoral, Lula acionou a Polícia Federal e a Secretaria Nacional do Consumidor, além de outros órgãos, para investigar práticas ilegais de preços no setor de combustíveis, de acordo com Valdo Cruz no g1. Serviços de inteligência do governo identificaram indícios de formação de cartel para aumentar o preço do diesel com estoques antigos do combustível.
Os aumentos de diesel e gasolina nos postos também mobilizou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o PROCON. Os dois órgãos estão intensificando as fiscalizações para verificar não apenas a qualidade dos produtos vendidos, mas principalmente possíveis reajustes abusivos de preços.
Todas essas ações se dão em meio à ameaça de uma greve de caminhoneiros. Na avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa possibilidade está sendo alimentada por especuladores, que estão aproveitando a guerra no Oriente Médio para tirar proveito da situação, de acordo com a Revista Fórum.
GZH, CBN, O Povo, Brasil 247, Valor Investe e InfoMoney também repercutiram as movimentações relativas ao aumento dos combustíveis nos postos.





