Uma equipe do 22º Batalhão de Infantaria Mecanizado (22º BI Mec) do Exército encontrou o réptil perto da terra indígena Kraho-Kanela nesta quarta-feira (18), durante ações da Operação Tocantins. Os militares atuam em críticas, dando apoio à Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
Resgate de jacaré na Ilha do Bananal — Foto: Divulgação/22º BI Mec
O animal foi retirado com segurança e levado para um lago que fica longe dos incêndios que afetam a região.
Sem água e luta pela sobrevivência
Também na Ilha do Bananal, brigadistas que atuam no combate às chamas flagraram um quati tentando sobreviver e em busca de água. Nas proximidades, o fogo consumia a vegetação.
“Morrendo de sede, caçando água, o lago ta seco. Caçando água e fugindo do fogo, porque o fogo tá vindo ali. E lá vai ele caçando uma aguinha coitado (sic)”, relatou o brigadista Claudinei de Oliveira Silva, que encontrou o animal cambaleando.
Brigadista filma quati-da-cauda-anelada fugindo de fogo e buscando água em lago seco, na Ilha do Bananal — Foto: Claudinei Oliveira Silva/Brigada Javaé
Desmatamento e emissão de gases

Além dos incêndios, desmatamento também afeta o ecossistema da Ilha do Bananal
A estiagem na ilha já é a maior da história. Há anos, especialistas alertam para redução do fluxo de água na região, que agora também sofre com a devastação causada pelas queimadas.
Todo o entorno da ilha têm sofrido com os incêndios. Além disso, o desmatamento também afeta a qualidade de vida mesmo de quem está quilômetros de distância dos locais atingidos.
Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAN), o desmatamento do cerrado brasileiro foi responsável pela emissão de mais de 135 milhões de toneladas de gás carbônico entre janeiro de 2023 e julho de 2024.
Desmatamento também afeta a Ilha do Bananal — Foto: TV Anhanguera/Reprodução
“O aumento do CO2 juntamente com outros gases de efeito estufa, eles aumentam a temperatura no planeta, então são uma das principais causas desse desbalanço climático, que termina afetando também esse regime de chuva, causando por exemplo uma seca mais prolongada, que a gente está vendo agora no cerrado”, explicou Fernanda Ribeiro, pesquisadora do IPAM e coordenadora do Sistema de Alerta de Desmatamento.
Além disso, 80% dessas emissões vieram da perda de vegetação nativa no Matopiba, uma das maiores fronteiras agrícolas do país, que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
“O desmatamento e incêndios em áreas naturais, eles estão conectados. E boa parte desse processo de desenvolvimento se dá exatamente pela expansão da fronteira agrícola pela conversão e degradação de áreas nativas do cerrado, para conversão posterior para uso econômico, principalmente para agricultura de grãos e também para o processo de especulação fundiária”, afirmou a pesquisadora da Universidade de Brasília (UNB), Mercedes Bustamante.
Ainda segundo o IPAM, entre 2023 e 2024, o Tocantins foi o estado do Matopiba que mais emitiu gás carbônico devido ao desmatamento do cerrado.





