Área queimada no Pantanal em 2024 já é 54% maior que em ano de destruição recorde

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Área queimada no Pantanal em 2024 já é 54% maior que em ano de destruição recorde

Com agravamento da crise climática, governo instala sala de situação para tratar da seca e do combate a incêndios especialmente no Pantanal e na Amazônia.

O fogo não dá trégua ao Pantanal. O Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (LASA) da UFRJ já havia detectado que as áreas queimadas nos cinco primeiros meses de 2024 somaram 332 mil hectares, 39% mais que a registrada em igual período de 2020, quando o bioma sofreu a pior destruição de sua história. Agora, números contabilizando os primeiros dias de junho mostram que a devastação continua aumentando.

De janeiro até 3ª feira (11/6), 372 mil hectares do Pantanal foram atingidos por incêndios – área que supera a de duas cidades de São Paulo, mostra o LASA/UFRJ. A extensão é 54% maior do que a afetada pelas chamas no mesmo período de 2020. Na época, quando 241,7 mil hectares queimaram até a data, detalha a Folha.

Até 6ª feira (14/6), o bioma registrava 2.019 focos de incêndio neste ano, segundo a plataforma BDQueimadas, do INPE. Em igual período de 2023 foram 133 focos. Já em relação a 2020, apesar da atual área de devastação ser maior, havia mais focos – 2.206.

O Mato Grosso, que abriga cerca de 40% do Pantanal brasileiro – os outros 60% estão no vizinho Mato Grosso do Sul –, lidera o ranking de queimadas dos estados neste ano, de acordo com o BDQueimadas. Desde o início do ano até essa sexta-feira, mais de 28 mil focos foram registrados no Brasil, sendo 7,4 mil somente em Mato Grosso, informa o g1.

O biólogo e diretor de comunicação da ONG SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa, registrou de perto as cicatrizes que o fogo tem deixado na fauna e na flora pantaneira. As imagens, exibidas pelo g1, mostram um jacaré carbonizado, carcaças de animais e o cinza tomando conta da vegetação que já foi verde. 

Especialistas creditam a explosão do fogo à seca severa no bioma, que se arrasta há anos e ficou mais grave nos últimos meses. Para se ter ideia da estiagem, o g1 informa que o nível do rio Paraguai, a principal bacia do Pantanal, estava 3,10 metros abaixo da média para junho em Ladário (MS) segundo o boletim do Serviço Geológico do Brasil (SGB) de sexta passada.

Mas, além da seca, resultado da combinação das mudanças climáticas com o El Niño, faltou articulação pública preventiva contra o fogo. Por isso a SOS Pantanal lançou uma nota técnica cobrando ações. O documento foi endereçado aos governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ICMBio e IBAMA e exigiu um trabalho conjunto mais eficiente e alinhado.

O cenário motivou o governo federal a instalar uma sala de situação preventiva para tratar sobre a seca e o combate a incêndios no país, especialmente no Pantanal e na Amazônia. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, há um agravamento dos problemas de natureza climática e as consequências chegarão mais cedo este ano, com repercussão ambiental “muito grave”, destaca a Agência Brasil.

Folha e Nexo também repercutiram a seca e o fogo no Pantanal.

Em tempo 1: O governo federal assinou um pacto com estados para promover uma ação integrada de combate aos incêndios e à seca no Pantanal. Apesar do foco no bioma, a norma também estabelece diretrizes para preservação da Floresta Amazônica. Segundo o documento, ao qual o g1 teve acesso, a prioridade é coordenar a atuação federal e dos estados para “efetivar a prevenção, o controle e o manejo do fogo, de modo a proteger essas regiões de significativa importância ecológica, econômica e social”, diz o texto. O acordo foi oficializado no início deste mês, mas ainda não foi divulgado.

Em tempo 2: Três meses após sofrer com enchentes históricas, o Acre agora começa a sentir os efeitos de um novo evento climático extremo, a seca. Segundo o g1, o rio Acre, em Rio Branco, capital do estado, alcançou a marca de 1,98 metro no sábado (15/6), a segunda menor marca dos últimos 10 anos para o mês de junho na capital. O governo do estado decretou emergência por conta da falta de chuvas e do baixo nível dos mananciais em toda a bacia do rio Acre, que está em situação de alerta máximo. Durante todo o mês de maio o rio Acre, principal afluente do estado, ficou abaixo de 4 metros. Agora em junho, tem atingido marcas ainda mais críticas.

ClimaInfo, 17 de junho de 2024.

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