Bonn: divergências entre países “amarram” chances de acordo sobre financiamento climático na Alemanha

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Bonn: divergências entre países “amarram” chances de acordo sobre financiamento climático na Alemanha

Mesmo com as conversas mais amenas, os negociadores ainda não conseguiram chegar a um denominador comum para um financiamento climático depois do ano de 2025. 

A 60ª sessão dos órgãos subsidiários (SB60) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que acontece em Bonn (Alemanha), se aproxima do seu final sem uma sinalização mais clara do caminho a ser percorrido até a COP29 de Baku para definir o futuro do financiamento climático global. A falta de definição pode jogar mais pressão sobre os negociadores em novembro, no Azerbaijão.

O Climate Home descreveu o ambiente de negociação na capital da antiga Alemanha Ocidental ao longo dos últimos dias. Por um lado, a SB60 não repetiu as emoções experimentadas no ano passado, quando um impasse sobre os itens da agenda arrastou as conversas por nove dias. Dessa vez, a agenda foi aprovada logo na primeira plenária.

Por outro lado, as negociações não avançaram de forma substancial nos principais itens de discussão. No maior desses “pepinos”, a definição do novo objetivo coletivo quantificado de financiamento, as conversas estão sendo marcadas pela falta de posicionamentos mais claros por parte dos principais blocos de países, especialmente no que diz respeito aos números desse futuro objetivo.

Uma das poucas cifras citadas em Bonn saiu do Grupo Árabe, que estimou a necessidade de financiamento climático em cerca de US$ 1,1 trilhão anuais entre 2025 e 2029, sendo que US$ 441 bilhões seriam fundos públicos mobilizados pelos países mais ricos. Outra ideia, apoiada pelo G77 e pela China, sugere que os governos desenvolvidos captem esses recursos a partir de uma taxa de 5% sobre empresas de tecnologia, armas e moda.

Ao mesmo tempo, os países ricos seguem rejeitando cobranças para que assumam novos compromissos financeiros baseados somente em recursos públicos. A ideia deles é recorrer a novas fontes de financiamento, como a iniciativa privada, as instituições financeiras multilaterais e mesmo governos de países emergentes, para ampliar a oferta de recursos.

Os impasses de Bonn incomodam quem observa a discussão pela perspectiva das comunidades mais pobres e vulneráveis. “[Isso é] muito decepcionante”, avaliou Mariana Paoli, da Christian Aid, ao Indian Express. “É ridículo que menos de seis meses antes da COP29, e após dois anos de negociação, os países desenvolvidos ainda não demonstraram quanto dinheiro estão dispostos a comprometer”.

“Os negociadores do Norte Global na SB60 correm o risco de minar os principais resultados da COP28 do ano passado. Os países desenvolvidos estão recuando nos compromissos assumidos em Dubai para acelerar as discussões em torno do financiamento climático”, destacou Mohamed Adow, diretor da Power Shift Africa, em nota divulgada pela coalizão Climate Action Network (CAN International).

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ClimaInfo, 12 de junho de 2024.

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