Desmatamento da Amazônia no 1º bimestre de 2024 foi o menor em seis anos

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Desmatamento da Amazônia no 1º bimestre de 2024 foi o menor em seis anos

Segundo o Imazon, a taxa de desmatamento amazônico caiu 63% nos meses de janeiro e fevereiro, o menor índice para o período em seis anos.

A trajetória recente do desmatamento na Amazônia segue em tendência de baixa, de acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon. Nos dois primeiros meses de 2024, a taxa de desmatamento atingiu 196 km2, 63% a menos do que nos mesmos meses de 2023, quando foi detectada a destruição de 523 km2. Esse índice é o menor para o período em seis anos.

O mês de fevereiro de 2024 fechou como o 11º mês consecutivo no qual a taxa de desmatamento registrou queda na Amazônia, segundo os dados do SAD/Imazon. Essa estimativa coincide com outros sistemas de monitoramento do desmatamento, como o DETER/INPE, que também apontam para uma redução substancial da taxa de desmate no último ano, um reflexo da retomada da fiscalização ambiental por parte do governo federal.

Por outro lado, a somatória do desmatamento nos meses de janeiro e fevereiro ainda é significativa quando comparada com outros períodos da série histórica. Os dados do SAD indicam um desmatamento acima do registrado no mesmo período entre os anos de 2008 e 2017, com exceção apenas de 2015. Em todos os outros anos, a taxa de derrubada ficou abaixo dos 150 km2.

Entre os estados da Amazônia Legal, dois registraram aumento do desmatamento em fevereiro: Maranhão, onde a taxa saltou de 2 km2 para 5 km2 (alta de 150%), e Roraima, no qual a destruição cresceu de 19 km2 para 26 km2 (alta de 37%). Entretanto, no acumulado do bimestre, apenas o Maranhão fechou com o desmatamento em alta, de 7 km2 para 8 km2 – um crescimento de 14% em relação aos dois primeiros meses do ano passado.

No que diz respeito ao total de área devastada, Mato Grosso (32%), Roraima (30%) e Amazonas (16%) acumularam a maior parte da floresta derrubada no 1º bimestre de 2024, somando 152 km2 e 77% de todo o desmatamento detectado na Amazônia Legal nesse período.

“Esses dados mostram que ainda temos um grande desafio pela frente. Atingir a meta de desmatamento zero prometida para 2030 é extremamente necessário para combater as mudanças climáticas”, destacou Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon. “Para isso, uma das prioridades do governo deve ser agilizar os processos em andamento de demarcação de Terras Indígenas e Quilombolas e de criação de Unidades de Conservação, pois são esses territórios que historicamente apresentam menor desmatamento na Amazônia”.

Os dados do Imazon para o desmatamento amazônico neste começo de 2024 foram abordados por Brasil de Fato, CNN Brasil, Correio Braziliense, g1, Metrópoles e ((o)) eco, entre outros.

Em tempo: O g1 teve acesso exclusivo a um levantamento do INPE sobre a regeneração de áreas degradadas na Amazônia. A análise traz um dado preocupante: mais de 60% das áreas desmatadas que conseguiram se recuperar em um período de 15 anos (de 2008 a 2022) foram novamente devastadas. Segundo o INPE, a proporção entre o que foi destruído e o que vem sendo regenerado tem ficado cada vez menor. Em 2018, essa taxa era de 24%; no ano seguinte, 2021, ela caiu para 23,5%; em 2022, para 22%. Essa queda está relacionada, principalmente, com a alta do desmatamento na Amazônia entre 2020 e 2021.

ClimaInfo, 19 de março de 2024.

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