Térmicas a combustíveis fósseis dominam expansão da eletricidade projetada para o Brasil até 2026

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Térmicas a combustíveis fósseis dominam expansão da eletricidade projetada para o Brasil até 2026

Dos R$ 192 bilhões em investimentos anunciados e previstos para geração elétrica até 2026, R$ 100 bilhões serão aplicados em usinas a gás e carvão.

Se os investimentos previstos e anunciados para a expansão da geração elétrica no Brasil nos próximos dois anos se confirmarem, a produção de eletricidade no país vai ficar mais suja. Isso a despeito da urgente necessidade de descarbonização da economia global e da progressiva eliminação dos combustíveis fósseis da matriz energética mundial.

Um levantamento feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o Valor com base no Plano Decenal de Expansão da Energia (PDE) 2032 mostra um total de R$ 191,755 bilhões em valores anunciados e previstos para a instalação de 40.415 megawatts (MW) de potência no país até 2026. Desses, R$ 100,998 bilhões serão destinados a termelétricas a gás fóssil, em sua grande maioria, e carvão, somando 24.023 MW. Outros R$ 25,8 bilhões estão previstos para 1.000 MW da polêmica fonte nuclear.

Segundo o mesmo levantamento, os aportes previstos e anunciados em renováveis nesse mesmo período somam bem menos: R$ 64,957 bilhões. A cifra se refere à instalação de 15.392 MW, que incluem usinas eólicas, solares, hidrelétricas, pequenas centrais e centrais geradoras hidrelétricas (PCHs e CGHs) e também termelétricas a biomassa e resíduos sólidos urbanos (RSU) – esta última também uma tecnologia polêmica e de custo ainda desconhecido.

Os números da EPE, ainda que se tratem de previsões, vão na contramão do que disse Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), sobre as vantagens que o Brasil pode ter no cenário mundial com a expansão das fontes renováveis. Em entrevista à Folha, Birol disse que o Brasil é um dos países que mais prometem retornos a investidores locais e internacionais em projetos de energia renovável – ainda que o executivo da IEA considere nessa conta os biocombustíveis, cuja expansão no país esbarra em problemas clássicos como o uso da terra.

“Como disse ao presidente Lula, acredito que os próximos dois anos, este ano e o próximo, serão uma oportunidade incrível para o mundo ver que o Brasil está de volta ao centro dos assuntos internacionais para energia, clima, geopolítica e relações exteriores. Com a presidência do G20 em primeiro lugar, seguido pela COP30”, destacou Birol.

Além do planejamento da EPE, o governo brasileiro vai precisar lidar com um Congresso que está usando a pauta da transição energética para beneficiar a energia suja. Como destaca a Folha, em matéria reproduzida pelo Valor, as propostas que estão à espera de aprovação de deputados e senadores enfrentam disputas e “jabutis” – termo utilizado para assuntos que são inseridos num projeto de lei que nada tem a ver com seu tema.

Um desses casos é o projeto de lei que regulamenta as eólicas offshore, fonte que vem sendo apontada como mais uma alternativa para a expansão da energia renovável no país. No final do ano passado, os deputados aprovaram a inclusão no PL de incentivos a termelétricas fósseis. Agora o texto está prestes a entrar na pauta do Senado, que, espera-se, elimine essa excrescência. Mas, diante das dificuldades de articulação entre governo e Congresso, o que deveria ser óbvio vira uma imensa dúvida.

Em tempo: O vice-presidente do conselho executivo do Sberbank, da Rússia, Alexander Vedyakhin, quer que os países do BRICS concentrem as discussões da transição energética em um único conselho do bloco, para que decidam onde investir os cerca de US$ 8 trilhões estimados para a adaptação das economias para um modelo mais sustentável, informa a Folha. O BRICS é formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, bem como Argentina, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã e Etiópia, admitidos no bloco em 2023. Para o executivo, o primeiro passo para o avanço da agenda verde seria a uniformização da taxonomia dos termos usados hoje em dia para descrever sistemas e modos de produção da transição energética.

ClimaInfo, 12 de março de 2024.

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