Produção agrícola sustentável no Cerrado pode render US$ 72 bi anuais ao PIB

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Produção agrícola sustentável no Cerrado pode render US$ 72 bi anuais ao PIB

Bioma é um celeiro global, mas recebe significativamente menos atenção e proteção legal do que a Floresta Amazônica, destaca novo relatório do Fórum Econômico Mundial.

Na contramão do que ocorre na Amazônia, o Cerrado sofre uma escalada do desmatamento. Embora tenha havido um alívio em janeiro, com queda de 35% na devastação na comparação com o mesmo mês do ano passado, o bioma registrou elevação de 43% no desmate no ano passado sobre 2022. É resultado da pressão do agronegócio, combinada com leis mais frouxas de proteção do que na Floresta Amazônica.

Mas um relatório da Tropical Forest Alliance, iniciativa do Fórum Econômico Mundial, aponta soluções lucrativas para estancar a destruição. De acordo com o documento, o Cerrado pode gerar US$ 72 bilhões por ano para a economia do Brasil até 2030, equilibrando medidas de proteção ambiental, impulsionando a produção sustentável de alimentos, proporcionando mais empregos e turismo e explorando as indústrias verdes.

O estudo “Cerrado: Production and Protection” analisou dados do Plano de Transformação Ecológica do Brasil, informam Estadão, Broadcast e UOL. Por meio de pesquisas abrangentes e entrevistas com especialistas brasileiros, o documento propõe várias alternativas ao correntão, incluindo a agrossilvicultura e a agricultura regenerativa, que criarão condições para a produção de alimentos de forma mais sustentável, aumentando a produtividade e gerando mais empregos no bioma.

O desmatamento para a produção agrícola já destruiu metade da vegetação nativa do Cerrado, lembra o Um só planeta. Se a tendência atual de desmate continuar, vai afetar o comércio de soja, gado, cana-de-açúcar e milho, causando escassez de alimentos não somente no Brasil mas em todo o mundo, e danos econômicos extensos, destaca o relatório. Afinal, o bioma é um celeiro global, responsável por 60% da produção agrícola brasileira e 22% das exportações globais de soja.

Além de ser uma potência na produção de alimentos, o Cerrado também tem um enorme potencial para a bioenergia e já abriga um terço das instalações de biogás do Brasil, reforça o estudo. Com a urgência da transição energética, o relatório descreve como a indústria da bioenergia pode ser ampliada de forma sustentável na região, o que poderia abrir oportunidades para o Brasil em mercados nascentes, como os de combustível de aviação sustentável e hidrogênio verde.

No entanto, a pesquisa pondera que há o risco de que a bioenergia possa abrir a porta para mais desmatamento e conversão no Cerrado. Assim, esses investimentos devem ser acompanhados de medidas voltadas para a proteção do bioma.

UOL, IstoÉ, IstoÉ Dinheiro, Terra, Exame e Investing.com também noticiaram o novo estudo do Fórum Econômico Mundial sobre o Cerrado.

Em tempo: Uma pesquisa da Global Witness associa os frigoríficos JBS, Minerva e Marfrig ao desmatamento do Cerrado em Mato Grosso. Segundo dados da organização, uma em cada três vacas compradas pelas empresas no estado veio de fazendas onde o Cerrado foi desmatado ilegalmente, informam Congresso em Foco e Gigante 163. Para aferir o desmate entre 2008 e 2019, os pesquisadores utilizaram dados públicos para encontrar as fazendas e cruzaram com imagens de satélite. Além de ser dono do maior rebanho bovino do país, Mato Grosso abriga em seu território tanto o Cerrado quanto a Amazônia e tem como seus maiores frigoríficos em operação justamente JBS, Minerva e Marfrig. De acordo com a Global Witness, o Cerrado tem sofrido mais pressão pelo desmatamento ilegal para criação de gado porque, na Amazônia, as empresas precisam seguir acordo legais para limpar suas cadeias de fornecimento direto.

ClimaInfo, 29 de fevereiro de 2024.

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