Um mundo “insegurável”: seguradoras e consumidores sofrem em meio à escalada do clima extremo

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Um mundo “insegurável”: seguradoras e consumidores sofrem em meio à escalada do clima extremo

Avanço do nível do mar e eventos extremos mais frequentes estão provocando escalada nos preços de seguros imobiliários e, em alguns casos, inviabilizando qualquer operação.

A indústria de seguros e proprietários de imóveis enfrentam uma crise que ameaça um modelo de negócio centenário. A intensificação de eventos climáticos extremos, em particular tempestades, e a elevação do nível do mar estão tornando muitas áreas, inclusive aquelas de alto padrão, “inseguráveis”. Em alguns casos, as seguradoras sequer apresentam cotação aos clientes – elas preferem desistir do negócio.

O Financial Times fez um panorama dos desafios enfrentados pelo mercado de seguros imobiliários. Os últimos quatro anos foram marcados por recordes sucessivos de perdas globais para as seguradoras decorrentes de catástrofes climáticas, com prejuízos superiores a US$ 100 bilhões anuais. Esse cenário forçou uma reavaliação dos riscos, o que provocou por sua vez um aumento significativo no valor dos prêmios.

O problema é ainda mais grave em algumas regiões do globo onde os eventos extremos estão se tornando mais frequentes. Muitas áreas estão se tornando inviáveis para qualquer operação de seguro, mesmo com prêmios muito mais altos do que os normais. Para a indústria de seguros, a crise climática está fechando a porta para regiões inteiras, mesmo aquelas mais abastadas.

“Esta é a primeira vez que de fato devolvemos a conta da mudança climática ao consumidor”, comentou Christian Mumenthaler, executivo-chefe da Swiss Re, em painel no Fórum Econômico Mundial de Davos no mês passado. Ele classificou a elevação dos prêmios como um tipo de precificação do carbono para os consumidores, o custo de “nós vivermos da forma como temos vivido”.

Poucos experimentaram essa escalada de forma tão clara como a população da costa oeste dos Estados Unidos, em especial na Califórnia. O estado experimentou uma procissão de desastres naturais associados ao clima na última década, desde secas históricas e incêndios florestais monstruosos até tempestades violentas.

Nem mesmo as mansões famosas no litoral sul da Califórnia estão escapando dessa situação. O Washington Post destacou como as tempestades que atingiram a região nas últimas semanas provocaram a queda de encostas e ameaçam destruir alguns dos imóveis mais caros e exclusivos do mercado imobiliário norte-americano. O Estadão publicou uma tradução da reportagem.

Além disso tudo, como o Wall Street Journal pontuou, a Califórnia também começa a experimentar um outro problema decorrente da crise climática – o aumento dos custos dos planos de saúde por doenças causadas pela poluição do ar e o calor extremo.

Como no caso das seguradoras, as empresas de saúde privada começam a fazer as contas dos prejuízos acumulados nos últimos anos no estado e já estão elevando o preço de seus serviços – o que, no contexto norte-americano, onde a saúde pública é algo inexistente, pode deixar milhões de pessoas sem acesso a qualquer atendimento médico.

ClimaInfo, 23 de fevereiro de 2024.

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