Perícia comprova que tiro que matou indígena na Bahia saiu de arma de filho de fazendeiro

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Perícia comprova que tiro que matou indígena na Bahia saiu de arma de filho de fazendeiro

Disparo que matou indígena do Povo Pataxó Hã Hã Hãe no sul da Bahia no último domingo saiu de arma apreendida com fazendeiro, segundo perícia.

Uma análise da Polícia Civil da Bahia confirmou que partiu da arma de um homem de 19 anos o disparo que matou a indígena Maria de Fátima Muniz, a Nega Pataxó, durante um ataque de fazendeiros a um grupo de Pataxós Hã Hã Hãe no último final de semana. Ele foi preso em flagrante junto com outro homem por suspeita de participação no crime.

O assassinato aconteceu durante uma invasão organizada por um grupo de fazendeiros da região para retomar a Fazenda Inhuma, localizada dentro da Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu, em Potiraguá (BA). Na ação, os invasores ainda feriram o irmão de Nega Pataxó, o cacique Nailton Muniz, baleado nos rins e operado em um hospital em Itapetinga.

Além dos dois fazendeiros, a Polícia Civil também prendeu um policial reformado de 60 anos, suspeito de ter participado do crime. Os suspeitos podem ser processados pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio e associação criminosa armada.

De acordo com O Globo, quatro pessoas foram intimadas a prestar depoimento e a polícia ainda aguarda autorização judicial para analisar dados telemáticos do grupo de WhatsApp no qual o ataque teria sido organizado. Folha e Metrópoles também destacaram o laudo da perícia e a investigação sobre o crime.

A situação na região onde ocorreu o ataque ainda é delicada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu na última 4ª feira (24/1) que os governos federal e da Bahia providenciem a proteção das comunidades indígenas, que seguem ameaçadas por fazendeiros. O órgão também cobrou a regularização fundiária do território dos Pataxós Hã Hã Hãe. A notícia é da Agência Brasil.

A TI Caramuru-Catarina Paraguassu foi demarcada em 1926, mas foi extinta em 1976 pelo governo baiano, durante a ditadura militar. Desde então, fazendeiros estão avançando sobre o território, aproveitando a confusão jurídica em torno de seu status como reserva indígena.

Enquanto isso, o Povo Pataxó Hã Hã Hãe lamenta a perda trágica de Nega Pataxó. O g1 abordou a importância da líder indígena, considerada uma referência espiritual e educacional pelos jovens e mulheres indígenas. Ela integrava redes de saberes tradicionais de universidades brasileiras e era doutora em Educação por Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

ClimaInfo, 26 de janeiro de 2024.

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