Após encontrar tesouro colonial, lavrador continua procurando ouro com detector de metais

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Após encontrar tesouro colonial, lavrador continua procurando ouro com detector de metais

Ainda no período colonial, o território que hoje é o Tocantins, foi rota do ciclo do ouro depois que bandeirantes passaram pela região. O município de Conceição do Tocantins, que era uma vila em um garimpo, foi fundado na metade do século XVIII. Por isso, Valdomiro tem fé que pode encontrar outros tesouros na região.

Raelson Costa, filho do lavrador, conta que, embora seja difícil a sorte bater à porta duas vezes, o pai sempre procura tesouros com o detector de metais.

“Acho que encontrar isso [metais preciosos] novamente é muito difícil, né? Aquilo ali que ele achou foi de Deus. Isso é muito difícil encontrar”, comenta.

A incredulidade de Raelson tem a ver com a preciosidade do que foi encontrado na primeira vez: 206 moedas de bronze e uma de 960 réis, de prata, conhecida como ‘patacão’.

Lavrador Valdomiro e o filho Raelson olham moeda de prata — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

As moedas datadas de 1816 possuem grande valor histórico, pois remetem à época em que a região detinha as minas mais valorizadas pela coroa portuguesa.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) analisou o local em que as moedas foram encontradas e avaliou que se trata de “um achado isolado”. Como o vaso com as moedas não faz parte de sítio arqueológico, não há impedimentos para sua comercialização. (Confira a nota na íntegra no final da reportagem).

Lavrador encontrou moedas antigas com detector de metais — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Raelson conta que a família até já foi procurada por algumas pessoas interessadas, mas não concluíram a venda e aguardam novas propostas. Por enquanto, as moedas estão guardadas em um cofre no banco da cidade.

Tesouro enterrado

Conheça a história do lavrador que encontrou um pote com moedas do período colonial

Conheça a história do lavrador que encontrou um pote com moedas do período colonial

A descoberta dos artefatos veio no mesmo dia em que Valdomiro usou um detector de metais comprado de segunda mão em um terreno perto de casa, em Conceição do Tocantins. O lavrador Valdomiro Costa que cresceu ouvindo histórias sobre a corrida do ouro no Tocantins, sempre sonhou em encontrar um pouquinho do metal precioso para mudar de vida.

Um dia, ele juntou dinheiro e decidiu comprar um detector de metais. Quando a máquina apitou, ele descobriu um pote de barro. “Eu pensei, isso aí é ouro. Tem o ouro que eu tava [sic] caçando né?”, disse o lavrador Valdomiro Costa.

Ansioso, ele acabou quebrando o objeto e deu de cara com mais de 200 moedas antigas. Sem se dar conta do tamanho do achado, o primeiro sentimento foi de decepção. “Eu nem via ‘ligança’ [importância]. A ligança minha era de arrumar ouro. Falei ‘ah, não vale nada não. Amanhã cedo eu vou é caçar ouro'”, comentou.

Ele só não jogou as moedas fora porque o filho, Raelson Costa, se lembrou das aulas de história e pediu ajuda para uma professora, Janildes. “Eu sou muito bem chegado nessa matéria de história e geografia. Aí veio na minha cabeça: ‘eu vou abrir com ela, que eu sei que eu posso confiar nela’, porque para mim ela é que nem uma mãe. E aí nós começamos essa pesquisa”, afirmou.

O achado também empolgou a professora. “Quando eu vi a datação aqui: 1816. Eu falei ‘nossa, isso aqui é um tesouro’. Eu sei que isso aqui tem um valor histórico imenso, porque foi do período colonial e do período imperial”, comentou a professora Janildes Cursino.

Lavrador contando as moedas junto com o filho — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Como há poucos registros históricos da época, o mistério em torno das moedas aumenta. Ainda não é possível saber quem enterrou esse dinheiro ou quando.

“As pessoas escondiam os tesouros dos saqueadores ou até para sonegar os altos impostos da coroa. A gente pensou em várias hipóteses, mas não dá ao certo para dizer quando e porque elas foram enterradas”, comentou a professora.

Moedas da época do Brasi colonial foram encontradas por lavrador — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O que diz o Iphan

Sobre a descoberta de um vasilhame cerâmico com moedas da primeira metade do século XIX em seu interior, informamos que:

O vasilhame foi descoberto fortuitamente por meio da técnica de detectorismo, atividade de quem usa um detector de metais para encontrar moedas, medalhas, objetos de valor em geral.

No dia 12 de dezembro de 2023, o Iphan-TO vistoriou o povoado de Tabocal, zona rural do município de Conceição do Tocantins, para checar a descoberta. A vistoria avaliou o contexto para verificar se as moedas estariam associadas a um sítio arqueológico ou não.

Em campo, arqueólogos do Iphan não observaram quaisquer estruturas ou vestígios culturais no local. Portanto, chegaram à conclusão de que o vasilhame cerâmico com as moedas é um achado isolado, não fazendo parte de um sítio arqueológico.

O responsável pela descoberta ficou com as moedas, mas cedeu o vasilhame cerâmico ao Museu de Conceição do Tocantins, cidade onde foi encontrado. O objeto está fragmentado, mas será restaurado pelo Iphan e devolvido ao Museu.

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