“Negacionismo 2.0” ganha força no YouTube, que tropeça no combate à desinformação

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“Negacionismo 2.0” ganha força no YouTube, que tropeça no combate à desinformação

Nova pesquisa mostra como negacionistas da crise climática estão reciclando argumentos, driblando os controles contra desinformação da plataforma e conquistando jovens. 

A intensificação da crise climática, com a ocorrência cada vez mais frequentes de eventos extremos, diminuiu bastante a margem retórica de grupos negacionistas para rejeitar pura e simplesmente a ocorrência do problema. Mas favorecidos pela falta de fiscalização, eles estão recorrendo a novas narrativas para espalhar mentiras, mirando principalmente o público jovem no YouTube.

Uma pesquisa do Center for Countering Digital Hate (CCDH) divulgada nesta 3ª feira (16/1) mostrou como essa mudança na tática dos negacionistas já está se refletindo entre os adolescentes, com pelo menos 1/3 dos jovens consultados nos Estados Unidos concordando com falácias como “a ciência climática não é confiável” e “a ação contra a mudança do clima é prejudicial à economia”.

Os pesquisadores reuniram transcrições de mais de 12 mil vídeos no YouTube relacionados ao clima postados por 96 canais ao longo de quase seis anos, de janeiro de 2018 a setembro de 2023. A partir de um modelo de Inteligência Artificial, eles constataram uma mudança radical nas narrativas negacionistas: ao invés de rejeitar a existência da crise climática ou a responsabilidade humana sobre ela, eles agora relativizam os impactos do problema, chegando até mesmo a dizer que a mudança do clima seria “benéfica”.

Essa narrativa, batizada de “Novo Negacionismo” pelos pesquisadores, representa hoje 70% do conteúdo negacionista no YouTube. Entre os principais promotores desse negacionismo 2.0, estão figuras como Jordan Peterson, com mais de 7,6 milhões de inscritos, e canais como BlazeTV (1,91 milhão) e PragerU (3,21 milhões).

“Os jovens passam muito tempo em plataformas de compartilhamento de vídeos como o YouTube. Estas novas formas de negação do clima, que proliferaram rapidamente ao longo dos últimos seis anos, destinam-se a confundir e enfraquecer o apoio público à ação climática”, pontuou Imran Ahmed, CEO e fundador do CCDH. “Está na hora das plataformas se recusarem a amplificar ou monetizar conteúdos cínicos de negação climática”.

Bloomberg, CNN, Financial Times, Grist, Guardian, Independent, NBC News e Reuters, entre outros, repercutiram a análise.

ClimaInfo, 17 de janeiro de 2024.

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