Paciente com câncer morre à espera de remédios de R$ 60 mil após entrevista para pedir ajuda

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Paciente com câncer morre à espera de remédios de R$ 60 mil após entrevista para pedir ajuda

A paciente Euni Jorge Rodrigues da Silva, que lutava contra um câncer no pulmão desde o início do ano, não resistiu. No dia 21 de novembro, a dona de casa concedeu uma entrevista à TV Anhanguera para pedir ajuda porque precisava de dois medicamentos que custariam R$ 60 mil por mês para continuar o tratamento contra a doença.

Os remédios não são fornecidos pelo sistema público de saúde. Na época, ela havia entrado na Justiça para obrigar o Estado a custear os produtos e aguardava uma decisão judicial.

Uma semana depois da reportagem, Euni passou mal e foi encaminhada para um hospital. Ela não resistiu e morreu no dia 5 deste mês, sem conseguir os remédios que ela tanto esperava.

A irmã de Euni, a administradora Taize Jorge Rodrigues, chora ao falar da saudade. Além da perda, a família precisa lidar com o sentimento de impotência e dúvida, pois a paciente não chegou a iniciar o tratamento.

“Fica essa pergunta. Se ela tivesse tomado a medicação, como teria sido? Se ela tivesse tomado uma medicação, pelo menos uma dose, eu acho que ela teria tido um sentimento diferente. Quem tem câncer, tem pressa, não dá para ficar esperando. A minha irmã, infelizmente, não podemos fazer mais nada por ela. Mas existem outras pessoas que estão em busca”.

Paciente com câncer morre à espera de medicamentos que custariam mais de R$ 60 mil por mês — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

A Jéssica Santos também tem pressa. Ela está em tratamento contra um tipo de câncer e espera que o Estado forneça os medicamentos. Ela já faz uso dos remédios, graças a doações. Mas o que ela tem em casa deve acabar no início do mês de janeiro.

“Eu entrei na Justiça em julho, mas até agora eu só tive negativas, mesmo com todos os relatórios médicos que eu já mandei. O que eu tenho no momento é uma decisão a ser julgada no dia 24 de janeiro, mas até lá, eu tenho que correr atrás para ver se consigo a medicação de mais um mês”.

O médico oncologista Gleisson Perdigão explica que o tratamento medicamento é importante na luta contra o câncer.

“O tratamento medicamentoso na terapia do câncer faz parte de um dos pilares do tratamento. Alguns tratamentos durante seis meses, outros duram um ano, algumas terapias duram 24 meses. Os prazos devem ser estabelecidos e seguidos”, relatou.

Sobre o caso da paciente Jéssica Santos, a Secretaria de Saúde confirmou que os medicamentos que ela precisa não estão disponíveis. Apenas outros remédios que podem ser conseguidos através da receita médica.

A Defensoria Pública disse que as datas das audiências são definidas pela Justiça e que a pessoa assistida deve procurar novamente o atendimento para relatar a situação de emergência.

A produção da TV Anhanguera questionou o Tribunal de Justiça sobre a urgência do caso da Jéssica e sobre a demora para liberação dos remédios da paciente Euni, que faleceu no início do mês, mas não houve retorno.

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