Chave para ação climática global, China mantém discrição em negociações de Dubai

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Chave para ação climática global, China mantém discrição em negociações de Dubai

A diplomacia chinesa mantém sua tradicional cautela política na COP28 de Dubai, mas sinaliza possibilidade de compromisso sobre combustíveis fósseis e diálogo com os EUA.

A China não costuma ser uma participante “espalhafatosa” nas COPs climáticas. Mesmo com sua relevância geopolítica crescente, o país tem mantido uma postura cautelosa nas negociações, se manifestando pouco e pontualmente, sem se expor demasiadamente. A conduta tem sido a mesma nesta COP28 de Dubai, onde os representantes chineses fizeram poucos movimentos públicos – mas no pouco que mostrou, mandou mensagens importantes aos demais negociadores. 

Talvez a principal mensagem tenha sido direcionada exatamente para o ponto mais relevante da agenda da COP28: a eliminação dos combustíveis fósseis. Em uma roda de conversa com outros negociadores, batizada pelo presidente da COP como Majlis, o representante de Pequim comparou o esforço global para se livrar da dependência dos combustíveis fósseis a uma “maratona”. Para ele, todos os países estão na corrida, mas o pelotão dianteiro (leia-se países desenvolvidos) precisa puxar consigo os demais participantes (países em desenvolvimento).

Traduzindo a alegoria retórica em negociação prática, a China sinalizou a possibilidade de apoiar a inclusão da eliminação dos combustíveis fósseis, desde que os países desenvolvidos assumam o protagonismo dessa ação. A posição é compartilhada entre os países em desenvolvimento, inclusive o Brasil. Mas a sinalização de Pequim traz um peso maior pelo fato de se tratar da China, a maior emissora de gases de efeito estufa do planeta, consumidora voraz de combustíveis fósseis.

Mas a sinalização não significa que a China toparia uma linguagem mais forte sobre os phase down/out de combustíveis fósseis. Aqui, outra característica histórica da diplomacia chinesa vem à tona: sua indisposição a se comprometer com metas ou objetivos específicos que possam interferir em suas políticas internas.

Um exemplo disso foi destacado pelo Climate Home: a China, junto com a Índia, não assinou uma declaração na COP28 na qual se comprometeria a triplicar a capacidade de geração de energia renovável até 2030. A proposta é rigorosamente a mesma que ela assinou junto com outros países do G20 em agosto passado. A diferença é o peso jurídico da assinatura: sob o arcabouço jurídico da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança Climática (UNFCCC), isso poderia representar algum tipo de compromisso.

Outro exemplo foi abordado pelo Washington Post: a despeito da trajetória de suas emissões apontarem para um possível pico antes de 2030, a China segue hesitante quanto à atualização de suas metas climáticas com a inclusão dessa meta. A incerteza econômica é um dos fatores por trás dessa decisão, com a economia chinesa ainda se recuperando dos efeitos da pandemia.

Mas, ao mesmo tempo, existe também um constrangimento particular que impede os chineses de destacar o que seria um passo decisivo para colocá-lo à frente da luta global contra a mudança do clima. “Os chineses, por qualquer razão, não percebem a importância das declarações públicas para vencer o debate internacional sobre mudança climática”, comentou Adair Turner, do think thank Energy Transition Commission. “Seria um grande passo à frente para o mundo se o fizessem”.

ClimaInfo, 13 de dezembro de 2023.

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